Diário

10/08/2013 - 06:54 | Postado por:
33- Tumólo !! 10/08/2013

Resort no Rio Kwai. Saindo do comum ...

 

Cada vez que vou iniciar um novo Post me vem a vontade de dizer que “acabei de realizar mais um sonho”!

Aqui na Tailândia não podia ser diferente. Um sonho mesmo! E não só meu, mas de milhares de pessoas ao redor do mundo. Ao chegar em Phuket tive noção exata dessa realidade e de todos os motivos que a formam.

Phuket é uma ilha e tem vários centros urbanos. Phuket Town é o maior. Os outros também famosos no mundo inteiro, são Krabi, Kara e Patong Beach. Essa última, onde me hospedei por uns 10 dias, foi arrasada em 2004 por um tsunami mortal para milhares de pessoas. Os locais ainda guardam vivamente as lembranças de uma manhã fatídica, onde todos corriam gritando: ” big wave…. big wave!”

Além da beleza do local, ainda tem outras ilhas nas proximidades tão, ou mais famosas. Ko Phi Phi, a mais conhecida, distante de Phuket a aproximadamente 1:30 de barco rápido, é na verdade um complexo de ilhas pequenas e muito próximas, que se tornaram uma coqueluche mundial depois do filme, A Praia, com o ator Leonardo Di Caprio. O afluxo de turistas é tão grande que os barcos tem que fazer fila para estacionar lado a lado em toda a extensão de cada praia que chegam. A quantidade e a potência desses  barcos, chega  a ser um espetáculo á parte. A maioria usa 3 motores ou mais para, literalmente voar sobre as ondas e poder cumprir todo o roteiro do dia. Tem alguns inconvenientes, como as fortes batidas quando o barco “aterrissa” depois de pequenos vôos, e que fazem o estomago dos passageiros ir revirando, até que alguns não resistem e …. com o tempo vão se acostumando a … não resistir, até esvaziar tudo o que haviam comido e mais um pouco!

A única forma de evitar esse contra-tempo é fazer o passeio pelas ilhas em mais de um dia. É a melhor forma de curtir toda a beleza do local. Sair do agito de Phuket e pegar o Ferry, um barco grande e vagaroso, que leva turistas que querem mais sossego, e vão se hospedar em Ko Phi Phi. Assim, ficam já no complexo de ilhas e podem pegar canoas pequenas e percorrer sem pressa todos os lugares. Além disso, durante o dia, todas as ilhas ficam apinhadas de gente, ofuscando a beleza com toda a movimentação dos embarques e desembarques. Ao final da tarde todos os barcos retornam a Phuket e então é possível até ouvir o barulho das ondas em vez do grave ronco de potentes motores.

Em Patong Beach o agito, o vai vem, de turistas pelas ruas centrais é algo que impressiona. São milhares, na maioria chineses, japoneses, indianos e australianos. Muitos australianos, já aposentados, vem aqui a procura de uma nova “cara metade” tailandesa. E desfilam felizes, de mão dadas ,sonhando que a morte jamais os separem. De novo!

Nas ruas passam camionetes com alto-falantes anunciando atrações. Desde shows a procissões religiosas. Os mais comuns são as lutas de Muai Thay. É o esporte nacional da Tailândia. Lutadores de todo o mundo vem aqui para fazer up-grade em suas carreiras. Em cima das camionetes são colocados tablados e os lutadores ficam se exibindo, enquanto a caravana vai passando, e distribuindo folhetos com a programação das lutas, e uma gravação fica repetindo o tempo todo, em tom sinistro: ” Tumólo Nait….Tumólo Nait…. Tumólo Nait!”, que é como soa o inglês asiático para a expressão – tomorrow night. Como fiquei vários dias, pude observar que vários lutadores chegam a lutar mais de uma vez por semana pra poder se sustentar. Literalmente, dando o sangue para sobreviver. Quem sabe amanhã chegue a gloria, fama e o dinheiro. Para esses sempre haverá a esperança de um…Tumólo!!!

Em Phuket Town, está em construção, uma das maiores estátuas de Buda, do mundo todo. Para viabilizar a construção, os visitantes são convidados a colaborar. O problema é que muitos “ajudam” colocando dinheiro de seu país, obrigando os monges a ficarem separando dinheiro para depois fazer a conversão de moedas.

De Phuket, fui a Bangkok em ônibus leito. Saindo a tardinha, dormiria toda a noite e chegaria descansado para já poder curtir alguma coisa. Massss… o “leito” não era muito leito. O apoio dos  pés era uma armação de metal, incômoda. O encosto reclinava só até metade, e, logo que escureceu, os três televisores permaneceram ligados exibindo filmes de lutas em volume alto, e … o ar condicionado me fazia não sentir saudades do Alaska! Resultado, não dormi e ainda peguei um resfriado para os próximos 5 dias!

Em Bangkok fiquei impressionado com o número de templos hindus e budistas espalhados pela cidade enorme e barulhenta, com todos os problemas de megalópole.

Também jamais vi tanta atividade ligada a joalheria com pedras preciosas. Soube que os melhores lapidadores do mundo trabalham aqui. Fiquei hospedado ao lado de um edifício de 50 andares, totalmente tomado por escritórios e oficinas de jóias. Para entrar tem que fazer um cadastro e deixar o passaporte. Ônibus cheio de chineses são conduzidos a andares, visitas pré-agendadas, e fazem a festa dos vendedores. São jóias e bijuterias de todo o preço. Das mais caras até as com preço irrisório. Também fiz a minha festa. Comprei as “peças mais lindas do mundo” por apenas US 23!! E fiquei muito contente, quando um vendedor de uns 70 anos, disse ter vindo da Inglaterra há mais de 35 anos, só para trabalhar com jóias, e afirmou que as “minhas jóias” são vendidas mundo afora por – “até US 1.500!!” – em lojas chiques!! Conversamos por uma hora mais ou menos. Falamos sobre viagens, família, saudades e a vida….. e jóias! Ao final, ele ainda me vendeu uma das suas “confecções exclusivas” por US 15, mas que na verdade valem muito mais que 400!! Saí coçando a cabeça!!! Mas que são lindas, são!

Em Bangkok, para fugir da poluição e trânsito caótico, fui passear de barco pelos canais que cortam a cidade. Usam barcos de todos o tipos e tamanhos. E tudo está sempre lotado. Ao me dirigir ao primeiro barco que vi, me perguntaram pra onde eu iria. Qualquer direção era boa. Vi a direção em que o barco atracado estava virado e respondi – ” pra lá!”                                                                                                                         “Hummm… se quer ir prá lá tem que pegar aquele outro!”                                                     “Hummm…. mas, acho que vou nesse aqui mesmo!”                                                                  Ele ficou sem entender. Paguei por um Ticket pra não sei onde, e sentei na “janela” de um barco muito cumprido e baixo. Logo que pegou velocidade, os borrifos de água começaram a me molhar e tive que guardar a câmera. Uns 15 minutos depois, seguindo por um rio de água barrenta, cheio de barcos se cruzando, ele estacionou e mandou todos descerem frente a um templo  a ser visitado. Não era isso que eu queria. Mas, já que era uma ordem, fui conhecer o templo. Na volta, me dirigi a um dos vários atracadouros que havia em frente e esperei pelo barco seguinte. Entrei. O barco encheu de gente. Quando saiu, fez uma volta e atravessou para o outro lado do rio, estacionou e todos tiveram que descer. Sem entender, vi que o piloto não estava prestando atenção e fiquei no barco, afinal, não queria só passar para o outro lado do rio. Entraram novos turistas. O barco saiu, girou, e …… parou do outro lado do rio e …-”descem todos!”. Todos desceram. Menos eu, de novo. Quando o barco começou a encher de gente, notei que vários turistas que tinham descido, estavam retornando! Tudo perdido! Eu não era único. Alguns me olharam e deram uma risadinha, e…. vamo que vamooo!!! Atravessei, de novo para o outro lado, desci e entrei na fila de outro barco. Uma enxurrada de pessoas entrando, outra saindo. Assim, passei uma tarde toda conhecendo Bangkok e me divertindo muito.

No hostel onde eu estava, havia uma agência turística. Fiquei olhando um álbum de fotografias dos passeios disponíveis e me senti atraído por um, no meio da selva e dormindo em alojamento flutuante, sobre um rio de nome famoso por um filme que ganhou 7 Oscars – A Ponte Sobre o Rio Kwai. Agendei um tour de 3 dias pela selva, distante uns 150 km de Bangkok. Foi uma experiência muito diferente e marcante. Ao final do primeiro dia, quando chegamos ao alojamento, vi que o rio estava muito cheio e observei que junto com a corrente, desciam vários objetos, pescadores boiando e troncos de árvores enormes. Tinha um banco na parte coberta, onde era possível ficar sentado ao abrigo da chuva. De imediato, peguei a programação do dia seguinte e vi que havia rafting e cavernas. Como no Brasil já fiz muito rafting e, também já visitei cavernas famosas em Registro-SP, perguntei ao guia se poderia ficar ali o dia todo.                           – “If you want.”                                                                                                                   Pronto! Não poderia imaginar programa melhor! E logo veio a noite, e fui dormir com a esperança de um “tumólo” especial, e embalado pela correnteza do rio, que produzia ondas muito pequenas, causando um balanço de ninar que só ali é possível. E não lembro, nem da hora que deitei, nem de como era a cama, nem de quanto tempo dormi. Quando acordei, ouvi o barulho da água passando por debaixo do meu quarto. E lembrei que tinha um dia todo para apreciar aquele lugar. Um dia todo para sonhar acordado!

E lembrei também de todas as pessoas no mundo que, como os lutadores de Muai Thay, tem que “dar o sangue” para sobreviver a cada dia esperando por um amanhã, que talvez nunca chegue. “Tumólo…… é muito tempo!!

E, o dia todo, em silêncio senti … felicidade!

E mais feliz anda por saber que, de alguma forma poderia repartir o momento.

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