Diário

09/03/2016 - 01:03 | Postado por:
54 – …os dias em que não sonhamos! 05/03/2016
Sonhos...Um Brinquedo de Adulto, Um de Criança, Um Lugar. Tudo Real!

Sonhos…Um brinquedo de adulto, o de uma criança. Juntos!! Um Lugar. Tudo Real !!

Os Sonhos e a Felicidade

No começo de minhas viagens com o objetivo de dar uma volta ao mundo, necessitando escolher um nome para o Site, acabei decidindo pelo que mais definia meus pensamentos: – “Meu Mundo Meu Sonho”. Julgava que o meu desejo fazia apenas parte de um sonho há muito tempo sonhado. Mal sabia que durante a jornada de descobrimento a qual me lançava, traria tantas perspectivas novas.

Uma das constatações, que parecia tornar o mundo dos viajantes bem menos poético, foi a de que tal nome parecia ser apenas filosofia barata. Percebi que, sonhar não é o que nos traz mais esperanças de felicidade. Na realidade, percebi que é uma das maiores causas de nossas frustrações e ansiedades. Descobri que tudo o que eu considerava “sonhos”, meus maiores desejos, vontade de fazer ou ser, poderiam e deveriam ser tratados como “objetivos”.

Simples assim. Passei a observar como os “nossos sonhos” , são temporários e, ou fruto de nossa perspectiva de vida. Os temporários são os mais danosos por serem tão numerosos quanto fugazes. Dizem respeito ao carro novo, celular novo, casa, viagens, roupa, óculos, emprego, visual e tantas outras variantes de nossos desejos. São estimulados pelo comércio, familiares e amigos. Cada vez que satisfazemos um, outro, igual ou parecido, toma seu lugar, numa roda viva interminável e frustrante. Já os sonhos que advêm de nossa perspectiva de vida, mais complexos, dependem do desenvolvimento pessoal, nosso e daqueles que nos rodeiam. Casamento, filhos, realização profissional fazem parte de sonhos mais duradouros, mas também não trazem a garantia de satisfação permanente.

Por tudo isso o nome do Site, Meu Mundo Meu Sonho, passou a representar, para mim, um novo modo de viver. Ainda tenho os sonhos motivados conforme o mundo ao meu redor. A diferença agora é que cada novo sonho passa por uma triagem. Procuro descartar o que considero futilidades, ou o que não me acrescenta nada de valor permanente, ou que não representem uma real necessidade. A grande mudança é que, apos a triagem, deixo de considerá-los apenas sonhos, e passa a tratá-los como Objetivos. Sonhos são apenas parte do sono. Objetivos me trazem vida!

Essa forma de viver e ser me trouxe muito mais felicidade. Felicidade autêntica por definição. Estive há muito tempo pensando sobre essa forma de viver, questionando a mim mesmo sobre o que seria FELICIDADE, já que ninguém ainda a havia definido de forma satisfatória, ampla, genérica. Chegar a uma definição pessoal, que respondesse a todos os meus questionamentos, muito me consumiu, mas também muito me deu prazer, tendo que relembrar de muitos livros e ensinamentos, desde as aulas de filosofia de 40 anos atras. Para mim, FELICIDADE passou a ser definida como “um sentimento de satisfação, individual e temporário”. Só isso. TUDO ISSO!!!!

Um amigo com Sonhos

Em 2012 o Edgard Jr. e a Adriana, de Blumenau, estavam em Curitiba, acompanhando a internação de seu filho João, no Hospital Pequeno Príncipe, causada por um mal ainda sem diagnóstico, que o impedia de alimentar e locomover-se sozinho, deixando-o dependente dos pais para todas as suas necessidades. No mesmo local estava a Rosiane, então acompanhando sua filha Laura, com complicações decorrentes de uma malsinada meningite.

Um dia, o Junior (como o chamamos) notou estacionada frente ao hospital, uma Land Rover 130 com adesivos relacionados a uma Volta ao Mundo. Seus olhos brilharam ao ver um de seus maiores sonhos sendo realizados por alguém. A imagem ficou marcada.

Dias após, quando a Rosiane passava por um momento em que necessitava de ajuda com sua filha, no corredor do hospital, o Junior, estando por perto pode socorrê-la. Passado o momento, ele notou que a camiseta que a Rosiane usava, tinha o mesmo logotipo que vira adesivado na porta da Land Rover. Logo perguntou:

- Você conhece o motorista daquele carro!???

- Claro, é meu namorado!!

E dessa coincidência começou uma boa e longa história de amizade. A troca de informações sobre “filhos especiais”, médicos, procedimentos, passou a confundir-se com informações sobre bons vinhos e grandes viagens. Após minha volta ao Brasil, na primeira visita ao novo amigo, que já conhecia por fotos e conversas de internet, já vi que ele era um apaixonado por motos e respeitado entre seus amigos trilheiros. Soube até que seu apelido era “Chileno”, por considerá-lo um “viciado” em viajar e falar do Chile.

Mas Chile era só um pedacinho do mundo de seus sonhos. Nas nossas conversas fomos descobrindo que na verdade, toda a Patagônia era nosso pedacinho do céu aqui na terra.

Há quem me ache louco por ir praticamente todos os anos até essa região da América. Por isso não achei o Junior louco por ter saído muitas vezes de casa para ir até Ushuaia – cidade mais austral da Argentina – e nunca ter chegado lá, simplesmente por ser “viciado” em San Martin de Los Andes. Como faz parte do caminho, cada vez que passava por lá ……. acabava ficando por ali sem motivo explicável. Só ele sabe!

As conversas sobre viagens foram evoluindo, até que em agosto/2015 um desafio interessante surgiu. Chega de ir de carro. Agora vamos de moto. Um sonho do Junior. Para mim, uma forma de ir que era um objetivo a cumprir. Ele um motoqueiro a vida toda. Eu!? Um desafio. Se equilibrar encima de uma moto. Com o tempo eu conseguiria mais, e iria pilotar até o fim do mundo. Na primeira aula conjunta, o Junior levou-me na garupa até um lugar propicio para um analfabeto em motos. Por mais que ele falasse e explicasse detalhadamente, cada passo, desde o ligar, soltar a embreagem, acelerar e parar, minhas pernas e a cabeça se recusavam a achar que aquilo era fácil. Muito menos seguro. Mas consegui andar e parar. Parei e…..caí!! A BMW 800 do Junior era novinha, sem nenhum risco. Não era eu que iria estragar nada. A moto inclinando, sem ter como endireitá-la, fui segurando até chegar bem pertinho do chão. Só aí coloquei a mão no chão, para ainda tentar aguentar todo o peso da moto. Consegui!!! E o braço …. quebrou! O osso que o macaco não tem. O Escafóide. O pior osso em termos de recuperação, no mínimo três meses.

A nova realidade obrigava a uma mudança de planos. Nada de Ushuaia. Eu curtiria um pesado gesso até o ombro e o Junior decidiu ir para os EUA com a família, satisfazer um sonho antigo de toda a família. O João era o maior interessado. Trocava a Patagônia pelo Mickey.

Na volta dos EUA, apenas conversas sobre a viagem que ficara pra traz. O dinheiro curto não permitia. Mas nas conversas a vontade de viajarmos juntos fazia com que nosso lado aventureiro ainda insistisse em listar alguns meios de viajar juntos. Quem sabe. Não basta ser aventureiro. Tem que ser persistente, determinado. Teimoso.

O João vai pra Patagônia

Entre uma taça de vinho e outro surgiu uma hipótese. Com o dinheiro curto, se fôssemos, a Adriana, Rosiane, eu e o João no carro, e o Junior de moto!!?? Dividiríamos as despesas de forma proporcional, com alguns ajustes a mais. Bastou mais uma taça….. e pronto. Estava decidido. Vamos pra Patagônia. Para o Junior era única hipótese de ir e poder levar o João, considerando todas as imprevisibilidades e com todas as suas necessidades e limitações. Como lidar com essas variáveis tão importantes, num ambiente inóspito e imprevisível?  Não há como responder porque não há como prever. A resposta veio da experiência. Da longa experiência de todos com viagens, filhos e principalmente com a certeza de que, apesar de todas as contrariedades, o amor e carinho estariam sempre presentes. Ai estava nossa garantia de que tudo daria certo. Nada pode dar errado quando todos se comprometem e são responsáveis incondicionalmente.

Muito se fala em inclusão social para as pessoas com necessidades especiais. No caso do João não se costuma falar em “inclusão”, visto que nunca foi excluído. Também não se deixa de fazer nada por limitações. Limitações todos temos. Todos precisamos comer e dormir. Basta que respeitemos as diferenças. Ninguém está imune a emergências, Além disso, não há nada que o amor, a dedicação não sejam capazes de contornar.

Pessoas com necessidades ditas “especiais”, normalmente ficam sujeitas a vontade e iniciativa dos familiares. Para muitas atividades fora de casa, essas pessoas não podem decidir sozinhas o que querem nem quando querem algo diferente do que é considerado “normal”. O resultado disso é que a maioria dos pais ou responsáveis passam a “lamentar” sua condição e viram mestres em discorrer sobre as dificuldades e limitações impostas pela vida. Dão ênfase ao sofrimento, expectativas negativas, injustiças enquanto esperam pacientemente a vida passar, ou, a morte chegar. Já outros pais preferem olhar todas essas condições como parte da vida normal, sem restrições de ordem alguma. Todos os planos familiares, por mais “aventureiros” que possam ser, não tem limite nenhum em função de quem quer que seja. Assim o planejamento de tudo passa a ser em função de Todos, não de alguém em especial. Na realidade parece-me que são os responsáveis ou pais de pessoas com necessidades especiais os únicos que podem decidir sobre a inclusão ou exclusão, entre desistir ou insistir, entre o ser anormal ou normal, entre a acomodação ou o trabalho, entre a exposição do infortúnio ou alegria de estar vivo. Entre a tristeza e a Felicidade.

Entre montanhas, lagos ……churrascos e “Chicas”!

Data marcada, lá fomos nós no dia 22/01/2016. As 6:30 da manhã saímos. Destino: viajar!……. se der chegar à Patagônia. O Junior na BMW 800, eu na Freelander, 230 cv, o João sentadinho no seu super assento, tranquilo por saber que seu “Citroen do Loeb” ia tomar muita poeira, de carona no guidão da moto do pai, mais a Adriana, pronta pra todas as eventualidades das “três crianças”, auxiliada pela Rosiane com toda sua experiência e paciência.

De início percebi que acompanhar o Junior na moto seria extremamente difícil. A moto é muito mais ágil no trânsito pesado e nas ultrapassagens. Mas também percebi que a Freelander tinha um coração muito forte, capaz de grandes emoções quando provocada. Senti isso no seu forte rugido, quando pisava fundo no acelerador. Coisa de crianças grandes. Chegar no Uruguai foi muito rápido. O que incomodava um pouco era o forte calor. Sempre que possível dávamos uma parada para uma água, ou até para um pic-nic inesperado. Assim é que se curte uma grande viagem. Pouco a pouco. Degustando todos os momentos possíveis.

Chegando perto de Bariloche, novamente o Junior deu um sorrisinho amarelo, ao ver que nem passaríamos perto de San Martin de Los Andes. Dessa vez não. O objetivo tinha um bom guardião. Eu tinha um compromisso interno de levá-los, Todos, o mais longe possível. E as distâncias ia sendo rapidamente engolidas. Nosso primeiro momento especial foi no Cerro Campanário. Curtir a vista maravilhosa dos Lagos em volta de Bariloche. Nada muito demorado e já estávamos na estrada de novo, rumo a Futaleufú. Ali sim, um momento pra lá de perfeito. Encontramos uma cabana muito barata e confortável. Instalados, eu e o Junior fomos 2 km a pé até a cidade comprar um “cordero patagônico” para fazer um assado. Essa uma das especialidades do Junior. Desconheço alguém que seja melhor nessa função.  Durante a preparação, vizinhos chilenos de outra cabana vieram nos oferecer vinho e amizade. O João foi logo rodeado. Impressionante a habilidade das crianças em interagir, sem se importar com as diferenças. Quem chega na Patagônia são pessoas “diferentes”! E se não o são, tornam-se!

Na saída de Futaleufú, logo cedo furou um pneu. A partir desse local, os recursos são mais escassos. Ninguém sabia sobre borracheiros por perto. Tudo é ingrediente de viagem de aventura. Tudo é estímulo. Nada pode ser “problema”. Tira tudo do porta-mala, põe tudo no porta-mala, que mais parece um Lego, ou, um quebra cabeça. Uma mala fora de posição e nada mais encaixa.

Já estávamos na Carretera Austral, a Ruta 7 no sul do Chile, com seus  1.240 km entre asfalto e o famoso rípio, unindo Puerto Montt a Vila O’Higgins. É uma estrada belíssima, uma das mais lindas do mundo, passando por montanhas nevadas dos Andes, lagos, turbulentos rios e campos de gelo. Dirigir por essa estrada é bastante difícil. Não só por sua extensão, trechos com muita poeira e pedras, mas por sua extrema beleza que obriga o viajante a parar inúmeras vezes para poder apreciar suas maravilhas intocadas.

Próximos a Cerro Castillo, o improvável aconteceu. Outro pneu furado, e nós sem estepe. O que fazer agora? O Junior havia se adiantado um pouco para poder chegar na cidade e descansar até que chegássemos. Estávamos sem apoio. Tira tudo do porta-mala pra tirar o pneu furado e poder levá-lo junto com o outro pra consertar em algum lugar. Esperar alguém passar e pedir auxilio. O sol contribuía com seus 40 graus torrando na cabeça. Todos preocupados…… o João….. rindo! Passado algum tempo e logo parece o Junior. Mais preocupação! Mas o João, deitado na sombra do porta-mala aberto ….rindo! Mas quem tem mulher bonita, nunca se complica. Elas, encarregadas de parar qualquer camionete que se aproximasse, rapidinho resolveram nosso maior problema. Levar os pneus até um borracheiro e voltar. Todos preparados para uma longa espera sob o sol. Apreensivos com todas as alternativas que a situação pudesse trazer. Mas, novamente, a experiência, o amor e a paciência predominaram. Em menos de 30 minutos estava tudo resolvido, e lá seguimos nós para Coyhaique, onde o Ivan, um grande amigo chileno de velha data nos esperava com as chaves de mais uma cabana. Quando chegamos era quase meia noite. E tudo bem. Comida boa no melhor restaurante da cidade e dormir que amanhã tem mais. Dia de folga!!!! Dormir até meio dia, perambular pela cidade sem hora pra nada. Mostrar os “perros” de cada esquina pro João que, com eles tem uma relação especial de amizade interativa.

No dia seguinte, mas estrada, poeira e pó para chegar a Rio Tranquilo, ver as famosas capelas de Mármore. Uma beleza diferente, pouco conhecida no mundo dos turistas, por estar muito distante de aeroportos. Ali sempre contamos com a amizade e o carinho da D. Irma, do Hostal La Costanera, mãe do Ivan, que sempre tem uma cama especial reservada para nós. E como tínhamos um tempo total de 20 dias de viagem, fixado pelo Junior, no dia seguinte, cedinho, partimos para a parte de estrada que considero a mais bonita da Patagônia. A subida do Lago General Carrera. Descrever aqui jamais conseguirei. As fotos mostram um pouco. Mas o fato é que realmente me maravilho com cada curva dessa estrada. Chegamos a noitinha em uma cabana na cidade de Perito Moreno.

De Perito Moreno, o destino é El Calafate, que seria nosso ponto final. Como a viagem foi extremamente cansativa, o objetivo era curtir num local marcante e com boa estrutura para todos. Nada melhor que El Calafate. No caminho, antes de chegar, a limitação de autonomia da moto nos pregou um baita susto. No posto de combustível onde iríamos abastecer não havia mais gasolina. E ainda faltavam 170 km. A solução seria uma pessoa na cidade próxima de Tres Lagos, que teria combustível estocado. Fomos até ele, e…nada! O que fazer. O fim do dia chegando. Nenhuma estrutura no local para passarmos a noite. Foi ai que notei uma moça usando um cortador de grama. Usava gasolina é claro. E se havia combustível para o cortador, ela deveria ter um galão. Falei em reservado com o responsável pelo Posto. Ele se mostrou irredutível. Até que lhe falei que o João estava no carro, e que poderíamos ter problemas extras se fossemos obrigados a ficar ali por tempo indeterminado. Ele se levantou, foi até o carro, abriu a porta e o João estava ….rindo! O moço se voltou pra mim e disse:

- Só por causa dele vou dar a vocês o suficiente para chegarem a el Calafate!

Mais uma vez, o carinho das pessoas, a paciência e a certeza de que tudo sempre pode ser resolvido se mostravam ingredientes normais quando acreditamos em nós mesmos e em todos os seres humanos como capazes de fazer o bem.

El Calafate é uma cidade pequena e acolhedora que vive apenas do turismo. São milhares de turistas que por ali passam o ano inteiro. Sua maior atração é o enorme Glaciar Perito Moreno, o único no mundo que permanece em expansão. Escolhemos ficar numa cabana no Hostal Los Dos Pinos. Há muito anos, quando estou por aqui, essa é minha casa. Ali recebemos a visita do Toninho e a Janeh, blumenauenses que estão na estrada já há alguns anos e que são muito queridos. Sempre que podemos nos encontramos em algum lugar. Aqui, nossa vidinha foi dormir, jantar em bons restaurantes, fazer churrasco, conversar, tomar café e cerveja na rua central e….. visitar o glaciar. Um lugar sem igual no mundo. Contemplar sua grandeza, as cores, os paredões despencando no lago após as estridentes explosões. Partilhar esses momentos com as milhares de pessoas que se aglomeram nas passarelas é um privilégio raro. Caminhar sobre o glaciar é para poucos, um momento inesquecível para toda a vida. Eu e a Rosiane ficamos com o João enquanto a Adriana e o Junior se tornavam um dos poucos no mundo que sabem o que é olhar um glaciar, andando sobre suas fendas, sumidouros e paredes azuladas.

Saímos de El Calafate de alma lavada e coração radiante. Objetivo cumprido. O que faltava agora era percorrer os quase 5.000 km de volta por longas retas, sob calor, frio e vento. Todo dia andando em torno de 700 km até chegar novamente ao engarrafamento da rodovia 470 próximo a Blumenau, e logo em seguida poder ver novamente o Zeca e a Lola pulando de alegria e chacoalhando o rabo ao ver o João.

Durante toda a viagem, o que vivemos foram momentos perfeitos. Especiais e incomuns. Não somos pessoas especiais e incomuns. Nos consideramos normais. O fato de termos ido a um lugar inóspito e selvagem, junto com um menino com necessidade especiais, pode ter sido visto como uma iniciativa temerária. Mas, como dependia de nós considerá-lo de forma diferente, fomos levados pelo exemplo de seus pais, a vê-lo como qualquer um de nós. Talvez mais carente de amor e proteção. Mas alguém com tanta vontade quanto qualquer um de nós de viajar, aventurar-se, viver, se emocionar, sentir o coração bater forte. O exemplo disso é que perceber que, sendo um menino de 10 anos de idade, já gosta de ser percebido pelas mulheres e também de chamar atenção. Ao saber que nós falávamos que umas meninas eram mais bonitas que outras, e as chamávamos de “Chicas”, cada vez que ele via uma mulher bonita, logo ia falando…..”Tiiiika”!!! Tudo brincadeira. Apenas uma forma de descontrair. Mas nos mostrava como ele gosta de interagir com todos.

Em toda a viagem, em nenhum momento fomos obrigados a mudar nada em função das tais “necessidades especiais”. Não que ele não tenha sua rotina diferenciada. Mas uma vez integrada à rotina de todos, não impede em nada qualquer aventura, viagem ou iniciativa dos pais. Aliás, somo nós que acabamos nos surpreendendo com suas atitudes. Sempre tinha um sorriso especial para todos os que se aproximassem. Esse sim um jeito especial de ser…feliz!

E todos os dias eu tinha uma nova lição sobre felicidade. Percebia o carinho com que o Junior ajeitava o “Citroen do Loeb” no guidão da moto. A potência da moto era grande, mas em nada se comparava a força daquele brinquedo que tinha o poder de vencer preconceitos, longas distâncias, poeira e cansaço. Com o apoio da Adriana, os dois se sentiram fortes e confiantes para levar seus brinquedos e seus sonhos até onde só os grandes chegam.

E o que poderia ser apenas mais um sonho, foi muito mais do que isso. Um exemplo para todos os pais que se dispõem a sonhar junto com toda sua família e se dispor a viver uma vida normal, num mundo real, proporcionando felicidade e momentos preciosos para serem lembrados por muitas vidas.

Esses foram …. os dias que em sonho algum poderíamos sonhar!