Diário

12/08/2012 - 02:05 | Postado por:
20- Amigos! … e Seres Humanos!! – 12/08/2012

Tanta beleza num lugar só!

Passada a pressa de estar no Alaska, além de “passear” resolvi me dedicar mais tempo ás pessoas que encontro pelo caminho.

Parar mais, ficar disponível para uma boa conversa entre  viajantes, com os locais, e até comigo mesmo, quando paro apenas para ficar apreciando a paisagem ou curtindo a rotina diária de algum lugar. Vou me inserindo mais e mais nos verdadeiros “jeitos de viver”, os costumes, que normalmente imaginamos ser muito diferentes de um lugar para outro.

As vezes fico  me enchendo de cuidados, achando que tudo é diferente, que vou me incomodar, e que “eles são isso e aquilo”!

Abrindo a guarda e, permitindo que também eles satisfaçam sua curiosidade, com relação a minha pessoa e sobre o distante país de onde venho, vou percebendo o quanto  somos todos iguais. Estando mais tempo aqui nos Estados Unidos, começo a gostar “dessa gente” as vezes considerada “donos do mundo”, com um modo de vestir muito extravagante e outras “coisas”. E fico lembrando dos outros “povos” por onde passei, e que por vezes, achei isso e aquilo também, gostando ou criticando certas coisas.

Com o tempo, já começo a perceber que não importa o país. O Lugar onde cada um vive não muda o fato de sermos todos seres humanos, ou seja, os mesmos animais. E como animais, nossas diferenças são fruto  do ambiente onde vivemos. Conforme o lugar onde nascemos, temos que nos adaptar ao frio inclemente ou ao calor sufocante, enfrentar a dureza das montanhas ou desfrutar das planícies, conviver com excesso de chuva ou secas impiedosas, extrair o alimento de um solo fértil, ou  sobreviver ás agruras da aridez. Sem falar das leis e obrigações passadas de geração para geração, e que vão do necessário ao desumano. Isso tudo vai nos moldando e formando nosso jeito “diferente”. Apenas uma casca, a forma que encontramos para nos proteger e sobreviver.

Observando as pessoas sob a luz de todas essas “variantes, percebemos o quanto somos exatamente iguais.  E só então entendemos que eles, não são “eles”! Todos, somos “Nós”! Vivemos num só lugar, uma grande “casa” chamada  Terra, muito linda e interessante. E que , durante nossa passagem por esta casa, temos que desfrutar e preservar. E se não vamos estar aqui para sempre, é muito importante aproveitar essa estada e apressar-se para sair.

Sair de nossos países, que são como os “quartos” dessa grande casa , aproveitar para conhecer e falar com os nossos “irmãos”. “Lá  fora” tem jardins muito lindos e que são verdadeiras obras de arte. Ver que há um outro céu além do nosso, com milhares de outras estrelas, ver outros oceanos, rios e lagos rodeados de montanhas e vales. É tudo nosso!! E que esse  sair, seja principalmente para ver, conversar, rir e chorar, saber das agruras ou das alegrias para viver, de cada um. E saber que “eles” não são “povos estranhos” nem “inimigos. “Eles somos Nós!”

Aprendendo sobre diferenças de hábitos!

Após a saída de Prince George, na estrada para Vancouver, resolvi pegar uma estrada alternativa. Vi numa placa a palavrinha mágica, “Estrada Cênica”! Lugares onde o jardim da nossa casa é ainda mais bonito.

Seguindo na velocidade das fotos e paradas para ficar um tempinho simplesmente apreciando, o tempo passou e nem percebi. Já estava anoitecendo e não havia rodado nem 200 km. E não queria dirigir a noite para não perder nada de interessante. No escuro encontrei um lugar de acampamento livre. Estava cheio de viajantes. Motor-homes, traillers e barracas de todo tipo. Só faltava o meu Teimoso e eu! Achei um cantinho entre algumas fogueiras e saí do carro para dar uma “cheiradinha” no ambiente. Não consegui ir longe. Logo vieram falar comigo. E como é bom falar. Nem que seja difícil! É que o meu inglês é tão bom quanto meu chinês!! Mas, o segundo casal que me cercou, já tinha tomado uma boa dose de vinho e conseguimos rir bem mais do que falamos. A conversa durou um tempão. Esqueci que estava com muita fome, que já era tarde, que “tinha que fazer um montão de coisas necessárias”. A Linda e o Brian, dois canadenses que, depois de eu contar que há mais de dois meses não como um bife, bem gostoso, nem sento numa mesa decente, para desfrutar de uma refeição de verdade, me convidaram, ou melhor, me intimaram a passar na sua casa em Richmond, região metropolitana de Vancouver. Não adiantou eu dizer que já estava comprometido com uma família de brasileiros me esperando nos arredores de Seattle.

- … amanhã cedinho saímos daqui, vamos ao mercado. Você vai devagarinho. Então á noite já estaremos te esperando em nossa casa ….!

Sem ter como escapar, relaxei:

- … acho que vou me dar bem!!

Dia seguinte, segui aproveitando cada pedacinho da estrada. Na beira de um rio, parei pra tirar umas fotos. Lá estava uma mulher de uns 50 anos. Sozinha, fazendo um café num foguinho de chão. Ao lado, uma barraca e seu carro cheio de apetrechos de camping. Me vendo tirar fotos ofereceu um café. Como brasileiro, “achei um montão de coisas da situação…”

- Não é perigoso você aqui sozinha…?

- Não! Sempre faço isso. Gosto de estar em contato com a natureza, olhar esse rio de águas esverdeadas e ficar ouvindo o vento agitar as folhas. … Só preciso tomar alguns cuidados com relação aos ursos…!!

Café tomado e lição recebida, fui seguindo. Ao entrar na cidade até tive tempo de ler o letreiro de uma loja e saber que ali tinha “feijão brasileiro”! Comprei dois pacotes pra garantir. Alguém pode querer fazer pra mim, ou, vai que um dia perco a preguiça e faço uma feijoada no meu fogareirinho…

Chegando na casa dos simpáticos canadenses, vi que estava vazia. Mas logo o Brian chegou pedalando uma linda bicicleta das antigas.

Fui logo lhe entregando uma garrafa de champagne brasileiro, da Aurora, meu preferido. Pedi para que colocasse na geladeira! Quem sabe, depois ….. E me mostrou a casa, um lugar lindo e aconchegante, ficando claro que ali mora uma família feliz. Me mostrou o banheiro onde pude tomar um banho. Meio estranho tomar banho! Mas, como é gostoso uma água quente a escorrer pelo corpo. Aproveitei e fiz a barba. Me senti o ser humano mais limpo e cheiroso do mundo.

Após um telefonema do Brian a Linda chegou. E ficamos a tagarelar, já no alfabeto particular dos viajantes que adoram satisfazer suas curiosidades sobre os “outros povos e costumes e…tudo!” E fomos bebericando um vinho caseiro. O Brian disse que estava impedido de beber, face ao excesso da noite anterior onde já havia tomado sua cota de uma semana. Assim a Linda ficou encarregada apenas  de não deixar minha taça secar. Muita conversa, muitas fotos para apreciar, e …. já mais de meia noite, bateu o sono. A Linda foi a primeira:

- Brian, estou com muito sono. Vou dormir. Você também vem …?

- OOps… Eu também! Acho que estou precisando dormir um pouco…!!

E  fui conhecer  a cama especial que a Linda tinha gentilmente preparado pra mim.

Diferentes povos, diferentes costumes. É preciso se livrar das expectativas para saborear todos os momentos…

Brasileiros!

Dia seguinte, acordei cedinho pra seguir a Seattle. Na minha agenda, hoje é dia de ver e falar com brasileiros. Estava com muita necessidade de poder me expressar em português. Ouvir alguém falando  sem ter que me esforçar pra entender. E, por via das dúvidas, já tinha uns pacotes de feijão no carro … O tamanho da barriga já  estava me incomodando. Ou melhor, a falta de tamanho ….

Após passar pela linda Whistler, uma cidadezinha encantadora encravada nas montanhas do Canadá, fui entrando em Seattle. Já passava do meio-dia. Sei que brasileiro, no sábado não tem hora pra nada, mas por via das dúvidas, … gato escaldado…, passei no Mac comer minha raçãozinha. O tal do … UrghChicken…! Além disso não sabia se o trânsito poderia me atrasar. Chegar implorando por comida não ia ficar bem!

Lá pelas 3 horas e pouco estava batendo a campainha da casa do Dilson Jr., o Junão, e família. Sua esposa Cristina, filhas Gabriela e Manoela, e como já aderiram aos costumes americanos, um “pet”, a “Mocha”, um buldog francês de poucos meses. Vi que, de cara ele adorou o meu xulé!!! Não desgrudava e queria ficar me lambendo o tempo todo. Eu era a novidade. E como cachorro adora cheirar, eu tinha um montão de novos “cheiros” pra ele.

Falando em cheiro, a recepção na casa da Cristina foi muito além de qualquer expectativa. Verdadeiros brasileiros, acho que  também estavam com saudades de falar o português e rir, fazendo piada de qualquer coisa. Não sabiam o que fazer para que eu me sentisse totalmente á vontade. Realmente me senti. Afinal o cheiro do feijão já tomava conta da casa… Eu ia sobreviver!!! E ainda colocaram um pratão cheio de queijos, pepinos e salgadinhos. E o Dilson veio com uma cerveja belga….!!! Nem nos meus melhores sonhos poderia esperar tamanha satisfação de estar num lugar com pessoas tão queridas.

A Cristina perguntou:

- Diga o que você quer, a gente está preocupado em fazer tudo o que seja possível pra você se sentir bem! Quer descansar, relaxar, tomar um suco, ou sei lá…. tomar um bom banho!??

- Rssssssss….. Banho? Cristina, acabei de tomar um banho ontem!! Pelos próximos vinte dias, pelo menos, estou me sentindo novo e cheiroso!!! Até troquei de roupa de ontem…

Após um minuto de silêncio, caímos na risada! Como as necessidades primárias mudam! Pra mim o importante passou a ser apenas comer e dormir! Agora estava, por uns dias de volta ao mundo normal. É preciso tomar banho todos os dias, sêo Mauro!!!

Á noitinha tiramos umas fotos junto ao carro. E apareceram outros  brasileiros que moram no mesmo condomínio, e nem se conheciam ainda. Mais um tempão de conversas e trocas de informações.

Hora da janta!!! E que janta!! Feijão com arroz, salada, salmão …. hummmm, adoro salmão!! E o ingrediente principal, …. Família!!! Como tenho família grande e fui acostumado a comer sempre rodeado de pessoas queridas, além da comida,  esse era o motivo de minha maior felicidade. Até a Ro apareceu para participar … via Skype para saborear o momento! E a conversa se estendeu noite adentro. Não parávamos de falar e falar. Mais que o sorvete, essa foi minha grande sobremesa!

No domingo, outro dia “em família”. Típico domingo brasileiro. Ficamos “jogados” no sofá, tagarelando. A Cristina saiu para comprar um ventilador. Em Seattle não é comum um calor de 33º. Ao voltar disse que percorreu todas as lojas  abertas e …. todos os ventiladores haviam sido vendidos! O jeito foi curtir um calorzinho também. Eu já tinha  passado por dias bem mais quentes. Lembranças de México e toda a América Central!

Á tardinha fui com o Dilson andar de Kart. Pra me livrar das tensões acumuladas, tinha dito pra ele que, quando estou no Brasil, vou numa pista e me acabo por inteiro. Gasto tudo em adrenalina. Esqueço de tudo! E assim foi. Rsssss…. só não gostei que não consegui bater o recorde da pista. Mas a emoção foi muito boa. Nem estranhei o karts que aqui são elétricos. Mas andam bastante e a pista é bem mais “lisa”. Me obriguei a repensar uns jeitos de fazer as curvas. Corremos 3 baterias em seguida! Na última já estávamos ensopados e esgotados. Era só isso que estava faltando!!! Fim de semana como se estivesse na minha casa, com “os meus” e fazendo o que eu mais gosto!!!

O almoço/jantar, costume brasileiro aos domingos, não poderia ser melhor. Acho que a Cristina andou se informando sobre minhas preferências, e mandou ver num Strogonoff! Tanta preocupação comigo me deixou emocionado e muito satisfeito. Acho que engordei uns quilinhos. Por uns tempos não vou precisar ir ao Mac …! E de novo a melhor  sobremesa foi a conversa “em família”. E todos participavam. De vez em quando a Gabriela e a Manoela davam uns pitacos, quando a Mocha permitia é claro!

Já era madrugada quando percebemos que dia seguinte era segunda-feira,  e não mais os meus eternos domingos!!! Calendário e horas são supérfluos pra mim!! Eles ainda tem as “obrigações” normais daqueles que ainda devem se esforçar pra garantir casa e comida!

Hora de seguir meu caminho. Conversamos sobre as opções. Queria passar por Yellowstone, uma “exigência” feita pelo meu “irmão” argentino, o Frankie, que me mandou um email passando a tarefa. E depois ainda  passar por Las Vegas, outra sugestão do meu querido “patrão”, da Link Monitoramento, o Hugo, uma pessoa que tenho com muito carinho, por ter acreditado no meu sonho, e que poderíamos ser úteis um ao outro.

Assim, dia seguinte, acordei  bem cedo. Antes de sair ainda queria  terminar o Post anterior a esse. Dá  um trabalho danado. Entre texto e fotos, umas 10 horas de concentração total. Sempre que posso vou adiantando um pouco as coisas. Mas, na hora de finalizar sempre aparece uma porção de assuntos. E dá-lhe fritar a cabeça!!!

Já era tarde quando fui para a estrada. Minha vontade era de chegar “ontem” em Tampa, casa de meu irmão. Vontade de revê-lo e dar um abraço apertado! Mas ….Yellowstone!!!!

Yellowstone. The Volcano!!!

Criado em 1872, foi o primeiro parque nacional criado no mundo e mede 8980 Km². Essa área ocupa partes de 3 estados americanos: Idaho, Montana  e Wyoming. E tem estradas que o percorrem por todos os cantos e atrações. A gestão do parque é modelo para todos os parques do mundo! Como exemplo, na entrada eu perguntei se  poderia dormir no carro e a resposta foi que ficasse atento ás placas e regulamentos. Como tinha uma fila na entrada, deixei pra ler depois. E esse depois já era  madrugada porque logo após entrar já comecei a “trabalhar” duro. Penso em todos aqueles que me apoiaram de alguma forma. E vou imaginando jeitos de tirar algumas fotos que possam ser útil ás empresas. Algum material que possa ser usado em suas ações de marketing.  É trabalho mesmo! E o faço com muito prazer. Gosto de fotografar e escrever. E isso é tudo que me pedem. Assim, a noite acabei dormindo num estacionamento. Não havia visto nenhuma placa de proibição. Mas pela manhã, lá estava um aviso no parabrisa. “Dear Visitor” … essa é uma área não permitida para overnight ….. e etc e etc”. Como nos faz bem sentir-se importante, até quando cometemos infrações. A gentileza da repreensão nos faz querer  atender imediatamente tudo o que for recomendado. Peguei o folheto de regras e o li inteirinho. Vi que tem área determinadas e com todos os confortos possíveis. Como é bom estar num lugar onde todos são tratados de forma igual. O preço pago, U$ 25,00 é pouco para tudo o que se vê a disposição, cuidados, organização e limpeza.

Saber exatamente o que é Yellowstone já dá um frio na barriga.  Simplesmente o parque inteiro,  é  a cratera de um Vulcão!!!! Isso mesmo. Um vulcão gigantesco. Mede aproximadamente 72 Km por 48 Km. Durante o dia, as vezes me pegava pensando sobre estar dirigindo dentro de um vulcão… A última erupção foi há 640.000 mil anos. E o parque todo tem sinais de que a camada de terra ali é muito fina. Tem geysers e formações vulcânicas por todo o lado. E uma multidão de visitantes de todas as partes do mundo. Ficar ouvindo as conversas e olhando as pessoas é como conhecer um pouco de todas as culturas e costumes.

A vida animal selvagem é um dos atrativos do parque. Muitos ursos, alces, veados, lobos, bisontes, e pássaros. Do tempo que eu adorava desenho animado, lembro que o Zé Colméia e o Catatau foram uns dos habitantes mais ilustres daqui!

As atrações mais concorridas são o Mammoth Hot Springs, o Hot spring Morning Glory e o geyser Old Faithful. Por toda a parte se observam fumarolas da água quente, que aflora e se esparrama pelas rochas, com um colorido extravagante, formado pelas milhares de “Cyanobactérias”, seres microscópicos, unicelulares e que vivem há muitos milhares de anos. Sim, aqui a pré-história ainda não é passado. A quantidade desses seres é que dá o colorido ás rochas e ao solo ao redor das fontes termais. De origem grega que significa “azul”, as cores vão dessa tonalidade ao verde-oliva.

A atração maior mesmo é o Geyser Old Faithful. Aproximadamente a cada uma hora e meia, tem erupções de um jato de água quente que alcança  quase 60 metros de altura. É um espetáculo em todos os sentidos. A cratera fica fumegando por um tempão. Enquanto isso uma multidão vai se acercando do limites permitidos, guarda-parques ficam fazendo  palestras para quem quiser ouvir. Os expectadores ficam se posicionando por todos os cantos. De tão alto que jorra a água, e para que a imagem  possa caber na fotografia, tem gente que prefere ficar num restaurante bem afastado, comendo e bebericando enquanto esperam o momento do …. “Ohhhhhhh…..!!! que se ouve na hora da erupção.

Para mim, o que mais curti por aqui é o ser humano. Como as pessoas reagem diante da beleza, da estupefação, da surpresa. No rosto de cada um, não importa a idade, aqui é um lugar de emocionar-se com tudo. Para fotografar pessoas as vezes basta um sinal de positivo apontando para a câmara. Outras vezes, se não dá tempo de pedir, basta mostrar o resultado e as pessoas acabam se descontraindo e gostando. Como um grupo de japoneses. Tirei uma foto de um deles. Um apontou para mim e ficaram dando risada e perguntando se podiam tirar uma foto minha. Foi o que entendi. Mas era mais do que isso. Queriam uma foto junto comigo. E acabamos brincando de tirar fotos uns dos outros.

Trabalhei duro! Muito tempo selecionando. Fotografei tudo.

A beleza da natureza e o emocionante ser humano!!!