Diário

08/07/2013 - 09:07 | Postado por:
30- BALI 08-07-2013

Praia de Keramas, Bali, Indonésia

 

Viajar para Bali é um sonho para qualquer pessoa no mundo. Cresci vendo propagandas e fotos lindíssimas desse lugar. E o custo da viagem sempre me parecia proibitivo. Quando organizei um roteiro resumido de minha viagem, nem pensei em incluir Bali. Apenas quando estava na Austrália, percebi o quanto os australianos adoram vir pra cá, por todos os motivos já conhecidos e também porque é muito barato. Perfeito para mim! Realizaria mais um sonho e seria até uma forma de economizar, ficando aqui por uns dias a mais.  E descobri que a forma mais barata é comprar a passagem a partir de Cingapura (e a partir daí, pra qualquer lugar da Ásia). Assim matei um monte de coelhos numa “voada” só.

Como não costumo me informar muito sobre os lugares que vou, pra não perder a oportunidade de me surpreender, confesso que Bali me surpreendeu realmente. E muito. Primeiro foi descobrir que Bali não é uma cidade nem uma praia. Se quiser marcar um vôo pela internet e procurar por Bali como destino, é provável que não ache nada. É uma ilha, uma província da Indonésia, com dezenas de cidades em seu interior. A maior é Dempasar, onde chegam todos os vôos internacionais. E  partir dali se deve escolher qual cidade, ou praia queremos ficar. Eu fiquei em Sanur, um bairro de Dempasar. A moeda é a Rupia Indonesia. Dez mil rúpias equivalem a US 1!!

O Hostel onde fiquei custou Us 10 por dia. Pra comer arroz com ovo gastava US 1,50. Não conseguia comer outra coisa. É tudo muito apimentado ou muito doce. E o aluguel de uma moto, que é o melhor jeito de percorrer a ilha, custou US 4,50 por dia.

Mas ali também estão os melhores hotéis das grandes redes. E o preço é o mesmo de qualquer cidade cara no mundo. Assim, o que se percebe de início, é uma quantidade enorme de turistas, com grande poder aquisitivo, se deliciando e gastando muito pouco com as coisas locais, mas pagando caríssimo para empresas estrangeiras em hospedagem e jantares. A maioria das coisas é mesmo muito barato, e parece suficiente para manter o povo local em sua aparente “felicidade permanente”. Demonstram muita alegria quando se resolve deixar qualquer valor como gorjeta. Mas pude presenciar turistas barganhando, ou deixando de comprar algo, por diferenças de US 2!! Apenas porque quando se fala em rúpias o valor parece altíssimo RPI 20.000,00!

Eu nunca tive moto e nunca gostei de andar de moto. Mas aqui me pareceu conveniente a sugestão de usar uma. O transporte público na ilha é praticamente inexistente. E usar um táxi para ficar explorando lugares, praias, onde se pode banhar e querer continuar para outros lugares, não é uma boa opção. Assim o que se usa mesmo são as bicicletas ou as motos. E todos usam! Dos moradores aos turistas. São milhares de motos circulando. Em cada parada no sinaleiro eu contava mais de 30 sempre. Em alguns cheguei a contar mais de 100!! E quando abre o sinal é uma verdadeira largada. E quem não acompanha vai levando buzinada atras de buzinada. Como eu tava aprendendo, justamente no lugar mais difícil, aprendi na pratica o que significa 1 milésimo de segundo. É apenas o tempo que levava para, quando abrisse o sinal, alguém me buzinasse na traseira!! Seria cômico se não fosse quase trágico. Como não tinha outro jeito a não ser andar num “pelotão de motos” e em meio a carros, ônibus e caminhões, era uma sucessão permanente de “quases” e eu não sabia se parava, freiava ou acelareva, se ria ou se chorava. Não conseguia me imaginar sair de Bali sem um belo tombo. Já aceitava até que fosse apenas um raladão! Mas, acho que meu santo é muito forte mesmo, ou meu anjo de guarda deve ser o Ayrton Senna! E nos últimos dias aqui, já estava até acompanhando os locais. Meio loucura mesmo!

Curti muito estar em Bali. Fui a muitos lugares e templos budistas, hinduístas. Descobri com muito prazer que é na Indonésia que se produz o Kopi Luwak, o café mais caro do mundo, cujo sabor esteva na lista dos “últimos desejos” num filme entitulado “Antes de eu Partir”. É produzido a partir de grãos de café retirado das fezes de um animal chamado Luwak. Lava-se “beeem” e depois segue o processo normal de moagem. E a palavra Kopi, significa “café” na língua indonésia. Fui numa fazenda prová-lo. Sentei numa mesa com umas 10 canecas de cafés e chás diferentes. Fui provando de cada um,  e no final, um canecão do Luwak. Hummmmmm …… delícia!!! Muito gostooooso! E não aguentei e pedi logo mais uma caneca de ….. chá de limão!!! Esse sim, dos deuses!

Andando nas ruas de qualquer cidade da ilha percebe-se uma grande quantidade de oferendas colocadas em esquinas e nas calçadas, na entrada de muitas casas, comércios, restaurantes e hotéis. Segundo dizem, é para que o dinheiro nunca falte. E deve funcionar mesmo. Todos os dias, pela manhã, quase todos os locais saem às ruas com uma cestinha e vão colocando oferendas nos lugares que mais acham apropriado. No final do dia, já ficam preparando novamente os recipientes onde vão colocar as oferendas do dia seguinte. Os ingredientes são basicamente os mesmos. Um pouco de arroz, vegetais, e, conforme a necessidade, coisas melhores, que agradem mais os “espíritos”. Coisas como cigarros, balas, doces, bolachas, chocolates e até algum “trocado”, como uns RPI 10.000,00! O resultado prático, e bom, disso é que os pássaros nunca passam fome. Mas, o mau é que os ratos também se aproveitam da fartura de comida sempre fresquinha e mais ainda das “sobremesas”. E uma população inimaginável de camundongos circulam acintosamente por todos os lados. E, afinal, os gatos também agradecem! Os turistas que circulam apenas pelos grandes hotéis e restaurantes, ficam poupados dessa atração. Mas basta um olhar um pouco mais curioso e não tem como não ver.

Muitas praias me impressionaram pela beleza. Coisa do tipo, – quero voltar aqui um dia!! Gostei muito de Uluwatu, que para poder chegar na água tem que passar por dentro de uma caverna. Padang Padang parece um pedaço do paraíso. E Keramas, com sua areia fina e preta, oferece uma paisagem lindíssima. Fiquei com imensa vontade de voltar a Bingin, onde rolam as “The Impossibles”, ondas perfeitas sempre em sequência, e com pousadinhas de frente para um por do sol pra lá de maravilhoso, atrás das pedras que afloram na praia.

E ainda tem os móveis, a prata e o artesanato em jóias, tudo típico daqui. Quando fui perguntar o preço de um colar tive uma surpresa. Não me deram o preço. apenas perguntaram – quanto você quer pagar! E como não tinha a menor ideia, devolvi a pergunta. E o vendedor insistiu – ofereça qualquer coisa que ache que vale!! Levei na brincadeira e me diverti um pouco. Acabei comprando por um preço que achamos justo. Eu não gostaria de saber estar pagando um preço vil por um trabalho digno de apreciação. E fiquei amigo do vendedor. Passei por ali nos outros dias só pra conversar e vê-lo dando risada. É o que de melhor sabem fazer.

Eu estava muito feliz e a vontade em Bali. Vontade de não sair mais. Já fizera alguns amigos até! Um brasileiro, um português, um balinês e um cubano! Nada mal né. Certa noite, depois de 16 dias já, estava checando meus documentos. Meu visto para ficar na Indonésia venceria dia 14 de julho e eu só havia conhecido Bali. E a Indonésia é o 16 maior país do mundo. Faltava muito ainda para conhecer. Arrumei tudo e decidi partir dia seguinte para outro lugar de sonho. Borubudur, na cidade de Yogyakarta.