Diário

16/08/2014 - 18:44 | Postado por:
49 – Botswana e Zimbabwe 16/08/2014
Pôr do sol em Chobe National Park

Pôr do sol em Chobe National Park

Tendo resolvido ficar por uns tempos na Namíbia, aproveitei para me juntar a um grupo e ir conhecer o Zimbabwe e Botswana, onde se situa o Delta do Okavango, uma das grandes atrações de toda a África.

Mais uma vez, visando a facilidade e o pouco tempo disponível, escolhi a Nômad Tours, que já conhecia da Rota Jardim e da outra viagem percorrendo toda a Namíbia. E tive sorte porque nesse novo grupo estavam também três brasileiros. Um casal de Natal-RN, o Hélio e a Andréa, e o outro, um grande amigo, o Aristeu, que fazia o seu primeiro tour pela África. Foi muito bom poder compartilhar esses momentos com essas pessoas queridas. Ficaram muitas promessas de encontros futuros para dividir fotos e impressões.

Me integrando ao grupo, passei a dividir a barraca com o Aristeu. Como todos os dias, fazia muito frio, era muito bom poder contar com alguém na hora da montagem e desmontagem, além de podermos conversar mais sobre fotografia. Como ele vem viajando o mundo há mais de 6 anos, tem muita foto de praticamente todos os lugares, tendo aprendido muito sobre como fotografar, na prática. Como suas fotos são muito boas, em cada sessão  de revisão no final do dia, sempre eu insistia para que ele fizesse um “up-grade” no seu equipamento, uma máquina que cabe no bolso. Sendo de origem oriental, não gosta de gastar muito. Acaba sempre optando pelo mais simples e também mais barato. Isso, de certa forma, é uma virtude, mas sobre outros aspectos pode não ser verdadeira tal afirmação. Para algumas situações fotográficas, as vezes lhe falta zoom, e outras, alguns pixels a mais, possibilitando cortes. Já um outro assunto que falávamos todos o dias, era sobre os efeitos do frio no corpo. Por economia, ele usava um tênis muito barato e sem meias. Como resultado, os seus pés apresentavam profundos sulcos no calcanhar, causando dor e desconforto ao caminhar nas trilhas. Mas, de resto, ainda tenho muito o que aprender com esse amigão de muita conversa, regada a café, cada vez que estamos em Curitiba, ou mesmo nos encontrando, ocasionalmente em algum lugar do mundo.

Contrastes da  …”Beautiful África”!

Saindo das terras desérticas da Namíbia e entrando em Botswana, o turismo é voltado para áreas totalmente alagadas e com uma exuberante vida animal. Os animais de grande porte tem muita água e vegetação para viverem tranquilos e se reproduzirem, mesmo com a presença de turistas o ano todo.

O Delta do rio Okavango é uma enorme extensão de terras alagadas, lembrando um pouco o pantanal mato-grossense. Basta acrescentar  os milhares de hipopótamos, elefantes e leões. Além de uma população extremamente pobre, que vive exclusivamente do turismo. O rio Okavango tem 1.430 quilometros de extensão, tendo o maior “delta interior” do mundo – que não deságua no oceano . E, por toda a sua beleza, é considerado umas das 7 maravilhas da África.

Para chegar aos pontos de acampamento no Delta é preciso muita logística. De início, um caminhão 4×4, adaptado para o lugar, serve como condução dentro do imenso parque do delta, transpondo uma estrada de areião, cujo trajeto leva mais de duas horas. Os bancos são de madeira e a carroceria é aberta. “Empilhado” junto com os “aventureiros” seguem todas as bagagens, barracas, colchões, comidas, panelas, água e tudo o que venha a ser necessário pelos dias de acampamento selvagem. No Delta não tem muitos lodges por questão de preservação, e a maioria dos acampamentos são no meio do “bush”, como é conhecida a vegetação que serve de abrigo e esconderijo dos animais em toda a África.

Mas para chegar no “bush” do acampamento, após o caminhão, vem a parte alagada e para continuar a viagem é necessário usar canoas pequenas e estreitas, capazes de passar pelos labirintos alagados. Os “mokoros”, feitas de uma peça só, esculpida em troncos de árvores e guiadas pelos “polars”, que usam varas em vez de remos, em razão da pouca profundidade da água. Seguem em pé na canoa, como se fosse um “stand-up”. Durante a travessia, que também leva mais de duas horas, é normal umas paradas pra tirar água de dentro da canoa, que vai sobrecarregada,  com a borda quase na linha da água, deslizando na água rasa, enfeitada por milhares de flor-de-lótus flutuando, desfilando sua beleza exótica, atraindo a atenção das lentes e enfeitando a viagem.

Os “polars”" são um exemplo de organização. Tem uma associação para atender os turistas, permitindo que todos tenham as mesmas oportunidades de trabalho. Tudo o que é arrecadado é dividido entre todos.

Nos dias de acampamento são feitos vários “safáris” a pé. É o jeito mais primitivo, porém o mais perigoso também. A gente reza pra ver um animal bem de perto, e quando vê, reza pra que o animal também não nos queira ver “bem de perto”. O “vazo sanitário” é um buraco cavado na areia, a certa distância das barracas. Pra saber se tem alguém no “buraco” basta ir até o arbusto que marca o acesso. Se tiver um papel higiênico pendurado no galho, está livre. E a noite é aconselhável levar lanterna e iluminar cuidadosamente os arredores. Se a luz encontrar reflexo em olhos castanhos, você poderá escolher entre desafiar a sua sorte ou … lembrar de trazer “fraldas” na próxima vez. Durante as madrugadas, ouvíamos todos os barulhos possíveis e imagináveis. Mas o que mais “incomodava” era o coaxar dos sapos. Pela altura do som, acho que sapo africano é meio parente de elefante. E como se sabe que só os machos coaxam, para atrair as fêmeas para o acasalamento, a festa era grande a noite toda!

Nos safáris encontramos todos os animais possíveis. Dentro da água, os hipopótamos nos deram alguns sustos. Afinal estávamos invadindo o seu paraíso. Abriam sua bocarra e nadavam em direção aos “mokoros” obrigando os polars a desviar rapidamente. No amanhecer do segundo dia, o susto ficou por conta de um elefante passeando na “porta” da barracas.

No encerramento do acampamento, um pouco de emoção! Os “polars”, uns quinze, que além de nos levarem nos mokoros, cozinharem e nos guiarem nos safáris, e no início de cada noite acenderem uma fogueira para se exibir com cantos e danças, no momento da despedida, entoaram um cântico, o “Beautiful África”, cujo tom cheio de nostalgia e sentimento, próprio dos africanos, emocionou a todos. “Ohhh …. beautiful Áfricaaa…we never forget…!

Chobe e Vic Falls

Guardando as emoções do Delta fomos ao Chobe National Park. Para aqueles que não se aventuram pelo Delta, face aos perigos, aqui é um dos melhores pontos de observação de animais como hipopótamos, búfalos e milhares de pássaros. É conhecido como o lugar com a maior concentração de elefantes de toda a África, passando de 50.000. A área do parque é um alagado, mantido pelo rio Chobe. Um dos atrativos do lugar é sua estrutura, permitindo que os turistas possam curtir os animais e ainda um belo por-do-sol, a bordo de grandes embarcações, com requintes para todos os bolsos. A mais estranha foi uma cheia de “fotógrafos”, com dezenas de câmeras “top”, que mais pareciam canhões, pré instaladas em tripés fixos nos barcos. Para cada câmera, uma cadeira e mesa disponível. O turista abonado só precisa apontar e clicar e depois pagar, pelos “wiskys” e comida farta, e pelo cartão de memória muito bem recheado.

Saindo de Botswana, as cataratas de Victoria Falls estão logo ali pertinho. As fronteiras da Zâmbia, Botswana e Zimbabwe são muito próximas. E entrando no Zimbabwe a primeira cidade já tem o nome de Vic Falls. Dali se vai a pé, em cinco minutos, até as cataratas.

Como eu já tinha feita essa visita pelo lado da Zâmbia pude avaliar, no meu entendimento, qual o melhor ponto de vista. No lado do Zimbabwe o preço do ingresso é US 30, na Zâmbia é US 50. Aí já dá pra entender um pouco. A diferença de preço é por causa da procura. No Zimbabwe tem apenas uma trilha. Na Zâmbia tem quatro, e oferecem pontos extremamente diferentes, sendo uma de frente, outra ao nível da água, outro mais ao longe, chamado “photographic trail”,  e outro ainda, fora do parque, ao lado do restaurante que serve de apoio para o pessoal do “bunggy jump”, com o visual da ponte no por-do-sol.

Aproveitei e curti tudo de novo, como se fosse a primeira vez. Coisas de viajante!

Curtam as fotos!