Diário

12/07/2013 - 09:22 | Postado por:
31- De Rosto Limpo 12/07/2013

 

Um jeito de ganhar dinheiro em Yogyakarta

De Bali a Yogyakarta, em avião, demorei 1 hora e paguei US 60. Voar na Asia é muito barato. Estou na Indonésia já há vinte dias e vou ficar mais dez. É um pais muito grande – o 16 do mundo – e com a particularidade de ser formado por 17.508 ilhas! As mais conhecidas são Bali, Bornéu, Sumatra e Java, que foi importante ponto de passagem na época dos descobrimentos e comercio de especiarias.

Minha curiosidade em Yogyakarta era conhecer os templos de Borubudur e Prambanan. Já no dia seguinte após a chegada, bem cedo, fui  de carona numa moto até Borubudur. O “passeio” levou quase 3 horas, no meio de um trânsito maluco com milhares de motocicletas circulando como abelhas no meio de carros e caminhões. Minhas pernas chegaram a doer, e a poluição me deixou com os olhos lacrimejando o dia todo.

Chegar ao Templo de Borubudur foi outro daqueles momentos de sonho. Olhar a grandiosidade, apreciar os detalhes, tocar parte da história, estar ali! Fiquei admirado com a riqueza dos detalhes, das cenas da vida diária da época, impressas nos desenhos em alto relevo, espalhados por todo o templo.

No dia seguinte fui ao templo hindu Prambanan. Totalmente diferente em projeto e detalhes arquitetônicos, mas muito semelhante nas cenas em relevo. Afinal, o ser humano sempre será o mesmo, independente do lugar. O que muda, são realmente apenas detalhes, impostos pelas circunstâncias naturais de sobrevivência.

Na volta do templo, resolvi ficar em Malioboro, uma espécie de shopping alternativo. Pra quem conhece Ciudad del Este, imagine algo parecido, com mais gente e preços mais baratos ainda. Centenas de lojas com produtos variados, e na rua, milhares de barracas vendendo de tudo, de roupas á comida. E tudo no meio de um congestionamento de carros, motos, bicicletas, carroças e gente. Muita gente!

Pra voltar ao hostel usei o meio de transporte preferido pelos turistas em Yogyakarta, o Becak (pronúncia – Bechak), um triciclo com um banco na frente. São milhares deles circulando por toda a cidade, levando turistas e mesmo moradores, mercadorias, e tudo que venha a caber, de um jeito ou de outro. E o “atleta”, sim, porque pedalar aquilo, naquele calor, o dia todo, e, as vezes com 3 pessoas sentadas, não é coisa pra qualquer um, são pessoas de todas as idades. Mas aparentam uma saúde, pelo menos das pernas, impressionante! Conversando com o meu “piloto” soube que o que come é muito macarrão, ou seja, o onipresente “noodles”. Como eu estava sem comer o dia todo, convidei-o pra ir a um lugar diferente. E fomos num tal de …Mac Donald’s. Pra ele foi a primeira vez na vida! Disse ser muito caro! Pedi o meu Mac Chicken e ele escolheu algo mais local, ou seja, arroz, frango e ovo. E, como de costume, comeu com a mão, direita. Sem talheres nem guardanapo. E tivemos tempo para uma boa conversa, com simplicidade. Mais gestos e risada do que palavras!

De Yogyakarta para Jacarta fui de trem. Achei interessante ficar horas podendo trocar idéias com locais e “passar” pelas paisagens lindíssimas das plantações de arroz da Indonésia. Na estação, uma mulher se aproximou e insistiu muito em conversar. Eu estava preocupado com horários e endereços que deveria checar na internet , e ela queria forçosamente que eu abrisse um site que mostraria a cidade onde ela mora, já que não pegaríamos o mesmo trem. Não deu tempo pra nada. O meu trem chegou exatamente no horário. Já acomodado no meu lugar, vi a mulher correndo em direção à minha janela. Insistiu que eu pagasse uma nota de IDR 10.000 – (US 1). Não sei o motivo, mas peguei e agradeci. Vou passar pra frente em Jacarta!

Chegando em Jacarta uma surpresa! A cidade é gigantesca. Sabia que era grande mas não tanto. São mais de 20 milhões de pessoas! E a cidade é muito mal estruturada. O novo convive com o muito velho. Ruas estreitas e largas avenidas nos mesmos bairros. Povo muito pobre  outra parcela muito rica! Dezenas de Shoppings caríssimos e outras dezenas de mercados a céu aberto, baratíssimos. Trânsito caótico e uma poluição que me deixou lacrimejando todos os dias que estive aqui. Pra ir da estação de trem até o hostel, não havia transporte público. Levei mais de 1 hora, na chuva, pra achar um táxi livre, no meio de “agenciadores”. E levei mais 2:30 dentro do táxi! Em cada rio, um mar de lixo boiando.

Minha reserva do hostel era pra 6 dias. Tempo pra resignação e aprendizado. Observar a diferença de classes. E como os mais pobres aceitam pacificamente essa disparidade. Parece que até com muita satisfação por terem apenas o suficiente para comer, ou, …não morrer. Lembrei que no meu país, muito da violência vem do inconformismo dos mais pobres. E pensei que talvez essa seja uma forma mais natural de reagir. Porque tão poucos mantém só para si o direito ao conforto e ao luxo. As vezes de forma escandalosa. Mas se quem pega o que é dos outros é crime! Então resta uma duvida: – “Quem se apodera do que é dos outros?”

No maior Shopping de Jacarta, o Indonesia Mall, a riqueza impera. Muitos chegam com seus carrões, param na rua frente ao shopping e usam manobristas. La dentro, só lojas de griffe e muita gente comprando. Uma camiseta Boss por US 200, ou um sapato Versacce por US 1.500. Passei pelos restaurantes, lotados, e não senti desejo algum de provar as iguarias. Sei lá se pelo preço, ou, talvez por minha bermuda, já bem maltratada e com uma cor meio indefinida, mas me senti inibido mesmo, foi pela “pompa e circunstância” dos frequentadores.

Antes de sair fui ao banheiro. Que luxo. E observei que os assentos do vaso sanitário eram meio “grandinhos”. Olhei bem todos os detalhes do trono (veja fotos). Uns canos e mangueiras a mais que o normal. Uns furos nas bordas internas do vaso. Parado na frente, percebi uns botões diferentes do lado esquerdo. Resolvi girar um deles. E………ohhhhhhhh!  Chuaaaaaaaaa!  Um jato forte bem  na … minha cara! O susto foi enorme, e até desviar da coisa, já tinha levado uma boa ducha até por dentro dos olhos! Daria tudo pra que aquilo não fosse usado para o que, é evidente que era usado. Não sabia se ria ou se chorava. Afinal seria apenas cômico, se não fosse … tão cômico!!

Como não me dou por vencido tão facilmente, resolvi testar a eficiência da máquina de humilhar pobre! Quando se aciona o botão, salta um caninho lá de dentro, com um orifício na ponta, de onde sai o jato malvado! Testei sentado. E não é que funcionou mesmo. Perfeitinho. Que engenhoca maravilhosaaa!

E ainda me deixou rindo até hoje!!