Diário

17/04/2014 - 17:17 | Postado por:
43 -Egito, nossa história, nossos sonhos! 17/04/2014
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Imponência e grandiosidade em Abi Simbel

Se qualquer pessoa tiver a chance de viajar ao menos uma vez na vida, o Egito pode ser o melhor destino a escolher. É quase o cumprimento de uma obrigação que cada um de nós recebeu lá atras, nos tempos de escola: pesquisar sobre o Egito. Quase todos sabemos “decor e salteado” o nome das pirâmides Quéops, Quefren e Miquerinos. Por isso e por muitos outros motivos o Diogo e eu resolvemos vir pra cá. Até mesmo sabendo que no momento que estaríamos aqui, a situação política, muito conturbada no país, recomenda muito que ninguém venha. Isso no final até acrescentou uma pitada a mais de aventura.

O Egito foi a primeira civilização organizada do mundo. Sendo o rio Nilo uma forma de satisfazer as necessidades dos primeiros habitantes da região, estes, apesar de nômades coletores, se estabeleceram permanentemente ao  longo do rio desde 120 mil anos atras! Eram pequenos grupos que aprenderam como controlar as cheias do rio, construindo canais de irrigação. Tais grupos foram se organizando cada vez mais, e se espalhavam por toda a área do rio, até onde está a Etiópia nos dias de hoje. Aos poucos, foram formavam basicamente dois blocos distintos, os povos do Alto e do Baixo Egito.

Por volta de 3.100 AC um faraó, Menés, unificou as duas partes, formando um grande reino, dando inicio á prosperidade, história e legados que conhecemos nos dias de hoje. Daí se seguiram muitos periodos de dinastias mais ou menos prósperas, conhecidas como “Períodos” Antigo, Intermediário, Médio e Novo.

Nesse “Novo Período” que, por volta de 1.279 AC reinou o mais poderoso dos faraós, Ramsés II, que ordenou a construção de vários templos e monumentos, dentre eles o mais espetacular, localizado em Abu Simbel, com sua figura na entrada do monumento. Governou de forma agressiva contra outros povos, e ainda conta a história que teve mais de 110 filhos!

Após esses períodos, o Egito sucumbiu a outros conquistadores, entre eles os gregos e finalmente aos romanos, comandados por Alexandre Magno, que fundou a cidade de Alexandria, ali colocando um marco da cultura antiga e ainda  atual, a Biblioteca de Alexandria.

Com tanta história, cheia de idas e vindas, os marcos e monumentos espalhados por todo o Egito atual, são cheios de inscrições, contando em detalhes riquíssimos, finamente entalhados em colunas e paredes gigantescas, cada um desses eventos. Ali também estão registrados toda a cultura e religiosidade de cada época. Pode-se observar todas as divindades, como o culto aos astros, animais e aos faraós.

Um cruzeiro pelo Nilo

Um dos pontos altos de nossa passagem pelo Egito, como já havíamos planejado há muito tempo, era fazer um cruzeiro ao longo do Nilo. Consultados os preços, optamos por um que nos custou US 400! Preço salgado, mas que soubemos ser pelo menos metade do custo anterior ás perturbações políticas que afastaram mais de 10 milhões de turistas anuais. Realmente, o luxo a bordo nos fez ter a certeza de que o que estávamos pagando servia apenas para manter o negócio funcionando. Ali passamos quatro dias de luxo, boa comida e descanso, observando a vida atual ao longo do rio, bem como a forma como atualmente controlam as cheias, usando eclusas, nas quais o navio entrava e tínhamos que esperar encher cada compartimento, até igualar o nível da água com a seção seguinte para prosseguir viagem rio acima.

Praias e o Saara

Fazer turismo no Egito, basicamente é mergulhar na história. Mas não se pode esquecer que o Mar Vermelho tem belas praias, como em Dahab e Sharm El Sheik, atualmente alvo de violentas agitações políticas.

O deserto do Saara é uma atração imperdível e que exerce enorme fascínio. A forma mais comum para os turistas é bem próxima a Cairo, o Black Desert, não fazendo parte do Saara propriamente dito, e a outra, um pouco mais distante, é a partir da cidade de Siwa. Ali fomos eu o o Diogo procurar nossa experiência como beduínos, ou tuaregs, palavra cuja tradução, “os esquecidos por Deus”, simboliza toda a dureza da vida dos que vivem nessa imensidão desolada. Em Siwa, alugamos bicicletas e fomos até um oásis ao entardecer. Já pudemos sentir o gostinho de estar num lugar fantástico. No dia seguinte, nosso guia, Ahmed, que também poderia ser Mohamed, visto que a maioria dos egípcios, tem esse nome incorporado a cada nome próprio, nos levou de Land Cruiser pelo verdadeiro Saara adentro. Primeiro fomos ver as evidências de que todo o deserto, antigamente era um grande oceano. Montes e montes de conchas e fosseis marinhos espalhados por grandes áreas. Subindo e descendo dunas, chegamos ao nosso ponto de acampamento, para passar o noite sob as milhares de estrelas, visíveis graças ao isolamento total. Enquanto apreciávamos o por-do-sol, do alto das dunas, o Ahmed e seu irmão, preparavam nosso jantar, junto a uma fogueira e a comodidade de uma acampamento cheio de tapetes e colchonetes coloridos.  Um momento único em nossas vidas. Estar ali juntos representa muito mais do que um sonho, visto que essa possibilidade é muito pouco conhecida de nós ocidentais. Que experiência fantástica!!

Chamados para o jantar, nos sentamos sobre almofadas e nos serviram um delicioso prato egípcio à base de frango. Nossa comida ainda teve que ser dividida com uma raposa faminta que nos rodeava desde a chegada. Ainda antes de começar a comer, já lhe atiramos pedaços de carne. Para nossa surpresa, ao invés de comê-los, ela corria para as proximidades, cavava um buraco, enterrava a carne e voltava para esperar mais. A cada pedaço, nova corrida para enterrar. Somente após uns dez pedaços é que ela finalmente começou a comer. Sábia natureza a nos ensinar a prudência e parcimônia. Nunca se sabe sobre as agruras do futuro.

Satisfeitos, ainda tínhamos para degustar, um chá, típico, preparado com esmero, cujo aroma nos atiçou a curiosidade pelo sabor dito inigualável pelo Ahmed. Realmente, saboreei até a última gota. Parece que o segredo é a quantidade e a qualidade da erva fervida numa chaleira, na fogueira, que também já servia para nos aquecer.

Mas, para nós, saborear a comida e o chá era muito pouco diante do que intimamente estávamos esperando. Deitar e poder ficar admirando o brilho das estrelas era muito mais que uma sobremesa. Um misto de alegria infantil e curiosidade nos invadiu. Em silêncio, cada um de nós curtiu ao seu jeito o precioso, mas passageiro momento. O silêncio era total. E pude ir contando as estrelas cadentes. A primeira delas recebeu um “Ohhhhhh….” coletivo!!! Todos estavam no mesmo espírito de contemplação!

As outras demoraram um pouco mais. Quando a quinta estrela rasgou o céu, trouxe junto o sono…… e os sonhos. Nossos sonhos!!