Diário

09/04/2014 - 13:47 | Postado por:
42 – Jordania 09/04/2014
A imagem mais famosa de Petra

A imagem mais famosa de Petra

Estar na jordânia é ter o privilégio de realizar um dos melhores sonhos de qualquer pessoa. Poucos são os privilegiados de poder caminhar por alguns dos lugares mais famosos do mundo como o lugar exato onde Jesus foi batizado e na cidade de Petra.

Aqui na Jordânia tive a felicidade de poder ter a companhia de meu filho Diogo, que me disse saber que, viajar é a única forma de gastar dinheiro, e que te deixa sempre mais rico. Eu que o diga!!

Nos encontramos em Amman, capital da jordânia. Logo de cara resolvemos trocar de hostel. Ainda precisamos de algum tempo para nos acostumar às coisas “normais” por aqui. A limpeza e conservação não é uma prioridade. Mas, tampouco, o novo hostel mudou algo. Na internet parecia melhor. Precisamos ir para os hostels no mesmo dia que tiram as fotos ……

Amman é uma das cidades mais antigas do mundo. Entre nomes antigos o mais conhecido era Filadélfia, em homenagem a um imperador romano de nome Filadelfo. A cidade é hoje dividida entre a cidade velha, cheia de lojinhas e cafés onde se vende de tudo, dia e noite, e a cidade “ocidental” com prédios moderníssimos e e shopping centers. É na cidade velha onde estão as famosas ruínas e um museu que tem peças da Idade do Ferro.

Para ir Templo de Apolo, um sitio arqueológico do tempo greco-romano, precisamos subir uma longa escadaria que passa no meio de construções muito antigas e caindo aos pedaços, mas são residências normais. Do alto do morro onde está o templo é possível ter uma ideia do caos que é a cidade, onde vive metade de toda a população da Jordânia. E um amontoado de casinhas quadradas e todas cor de areia. Ficamos horas contemplando esse pedaço da história, imaginando como seria viver ali, sob aquele calor inclemente e sempre sujeitos a ataques inimigos tentando derrubar as muralhas em volta da “cidadela”.

Na volta, vontade de tomar um café. Ao entrar numa cafeteria, surpresa!!… Ao abrir a porta, o que se via era uma densa fumaceira, vinda das inúmeras “chichas”, ou narguiles, com fumantes em cada uma das mesas. Impossível ficar ali. Numa cafeteria de rua mesmo, pedi meu café. Olhando ser preparado já estava estranhando a novidade. O café é servido sem coar e com muito pó.

Me dá um chá!! um dia quem sabe …. tomo um café!!

Mar Morto e Arredores

De Amman pegamos um taxi para nos levar ao Mar Morto e a alguns lugares sagrados como Monte Nebo e ao lugar onde Jesus foi batizado. O Rio Jordão hoje não tem mais o mesmo curso de 2 mil anos atrás. O curso atual é o marco da fronteira entre Israel e a Jordânia. Ali vão muito peregrinos pelo lado de Israel e entram para banhar-se no rio, e até levam garrafinha para levar a água para suas casas como sendo a água do rio onde Jesus foi batizado. No entanto, o local exato fica há uns 200 metros para dentro do lado jordaniano, onde fizeram um marco. Ali estivemos. Um dos turistas que estavam no mesmo grupo, pediu ao guia para descer até a pequena poça de água que ainda tem no local, porém não lhe foi permitido de forma alguma, apesar das súplicas. Ele ficou para trás, junto conosco. Quando o guia seguiu em frente, após fazer a primeira curva, ele se atirou ribanceira abaixo, quase mergulhando na lama, e conseguiu encher uma garrafinha da “Santa Água”!! Quando chegou em cima de novo, todo sujo e sorridente, exibindo seu troféu. Pedi um pouquinho, para por noutra garrafa, e lhe disse que o verdadeiro tesouro estava nos seus pés. A água com certeza já era de outras chuvas, mas o barro ainda possuía os mesmos minerais desde a época do batismo. Riu muito, e feliz da vida, com toda a sua recém adquirida “riqueza” disse que iria colocar seus Adidas, semi-novos, de 300 dólares, numa redoma de vidro em sua casa. Até peguei um pouco do barro também e coloquei dentro da minha valiosa garrafa.

Petra

O melhor ainda estava por vir. A sonhada Petra.

No dia da visita, acordamos animados e sob um sol de rachar a cuca, devidamente paramentados com os cachecóis típicos dos beduínos e touaregs, os antigos habitantes desses lugares, fomos comprar nossos ingressos por “salgados” US 50 cada um. Mas valeu. Entramos às 10:30 da manhã e saimos ás 20:00 já completamente escuro.

Desde o início da trilha pode-se escolher por usar cavalos, burros e até carruagens. Seguimos a pé.

Esse sonho precisa ser degustado centímetro por centímetro. Como tudo o que sabíamos de Petra era a fama de uma foto do lugar, desde o começo já íamos tirando fotos das formações rochosas com buracos onde antigamente moravam pessoas. Nem sabíamos que ali ainda era a parte de fora da verdadeira cidade que se estende por kilometros vale adentro. Logo se adentra a um canyon com paredes multicoloridas por circulam hordas de turistas e vendedores de mapas e lembranças, desde crianças a adultos, todos produzidos com pinturas nos olhos e roupas típicas. Afinal só podem trabalhar aqui os que sejam descendentes do antigos povos. E não deixam por menos. Parecem personagens de filme, e tem onde se inspirar, afinal Indiana Jones foi filmado aqui.

Após muito caminhar, mais de 1:30 horas, e já se sentir com a alma cheia das novas riquezas, surge a silhueta da famosa escultura em pedra, que faz Petra ser famosa e admirada no mundo inteiro. É realmente um marco na vida de quem vem aqui. A cena que vem aos olhos é um grande espaço aberto no canyon fechado. Ao entrar nos deparamos com um paredão enorme, totalmente esculpido na pedra avermelhada, com detalhes preciosos. Centenas de pessoas ali ficam paradas, boquiabertas  diante da imagem marcante. Depois de algum tempo de contemplação, hora de registrar o momento inesquecível. As fotos registram a imagens, mas a sensação é individual e muito forte. Privilégio de quem vem até aqui.

Ficamos algum tempo olhando tudo. Absorvendo a energia do local, soma dos sentimentos de cada um dos presentes. Nos sentíamos felizes e realizados por ter cumprido mais esse sonho. Estávamos já satisfeitos com o que estávamos vendo e prontos para voltar, quando resolvemos ver uma brecha na rocha, no lado direito. Seguimos para lá e logo percebemos que o que tínhamos visto era apenas o início da grande cidade de Petra, que se estende por mais de 6 kilometros vale adentro.

Felizes com a descoberta dessa “nova Petra”, seguimos curtindo cada nova escultura, cada saliência desse lugar incrível. Já cansados, com fome, descobrimos que teríamos que caminhar muito para chegar até o último monumento, o “Monastério”. Realmente caminhamos muito, subindo e descendo desfiladeiros. Na última parte, tivemos que nos esforçar muito para recusar as inúmeras ofertas de utilizar transporte, tanto para ir quanto para voltar. Seguimos praticamente sozinhos, pois poucos são os turistas que aguentam caminhar toda a extensão de Petra. Por isso é compreensível que as imagens que circulam na internet sejam quase sempre as mesmas. O final é quase uma escalaminhada morro acima. Mas quando se chega, o visual faz valer a pena cada gota de suor e todo o pó que nos cobre o rosto e as roupas. Diante da escultura não tem como não se emocionar. Pelo esforço todo para chegar até ali, bem como pela perfeição dos detalhes esculpidos pelo ser humano. Ali descobrimos do que somos capazes quando queremos realmente nos dedicar ao que fazemos.

Na volta tivemos que apressar o passo, apesar do enorme cansaço e dores nas pernas e pés. Na parte do canyon andamos sob completa escuridão. As vezes o Diogo procurava o caminho entre as rochas usando o celular. Na maior parte do caminho seguíamos tateando com os pés, por vezes tropeçando nas pedras maiores. Tempo perfeito para refletir e guardar todas essas riquezas num cantinho especial de nossas memórias.

Assim nos sentimos maravilhados mesmo. Pela beleza e imponência das obras sim, mas principalmente pela beleza da alma que cada ser humano carrega dentro de si.

Parabéns para todos nós!!!!