Diário

26/03/2014 - 09:59 | Postado por:
41 -Mochilando por aí … Juntos!! 26/03/2014
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Salar de UYUNI – Bolivia

Este ano, novamente a Rosiane e eu conseguimos dar “um jeitinho” para que pudéssemos viajar juntos, por uns dias ao menos. Passamos o ano inteiro discutindo possibilidades, datas e lugares, além de custos e logística. Ela queria muito ir ao deserto de Atacama, no Chile, e eu gostaria de poder ver algumas etapas do Rally Dakar. Após muita conversa e engenharia acertamos tudo. No programa, Chile, Argentina e, como cereja do bolo, a Bolívia!

Para economizar, resolvemos que a viagem seria no estilo “mochileiro”. Levamos todas as nossas coisas em pequenas mochilas, para não sofrer com o peso, e fizemos toda a viagem  usando apenas ônibus de linha e dormindo em hostels. Ficou bem mais barato. Mas também ficou muito menos confortável, além de poder tirar fotos apenas nas paradas.

O Roteiro

Saímos de Curitiba dia 06/01 rumo a Foz do Iguaçu, onde dormimos uma noite. Dia seguinte fomos a Puerto Iguazu, Argentina,  e compramos passagem para Corrientes. Aí chegando seguimos para Salta, já pertinho das montanhas elevadas dos Andes.

Em Salta ficamos por três dias para curtir um pouco o Rally Dakar, que também teria ali o seu período de descanso para os pilotos e seus quase 300 veículos, entre motos, carros, quadriciclos e caminhões. De início fomos ver uma etapa cuja chegada era em Salta. Muito sol e poeira, mas pudemos sentir um pouco do espírito da competição off-road mais dura do planeta. São aproximadamente 9.000 Km percorridos em 12 dias, esse ano incluindo Argentina, Chile e Bolívia, percorrendo estradas precárias e até mesmo onde elas nem existem. Muita adrenalina e riscos altíssimos. Antes dessa etapa o rally já contabilizava duas mortes. Aproveitamos o resto do tempo para curtir a cidade, muto bonita e que tem ainda a fama de ter a pizza mais saborosa do mundo. De Salta ainda fomos conhecer Cafayate, um pouco mais ao norte, cidade famosa por suas vinícolas. No caminho paramos para apreciar a beleza da formação rochosa do “anfiteatro”.
San Pedro de Atacama
De Salta, mais ônibus, agora pra curtir uma das grandes expectativas da Rosiane. O deserto do Atacama e seus arredores, o Vale da Lua, Vale da Morte e Geisers El Tatio. Descer na rodoviária de San Pedro, pra quem não conhece, é muito desanimador. Lugar pequeno, todo empoeirado. Arredores com casas de barro, todas na mesma cor, ou seja, cor de barro mesmo. Todas as ruas sem calçamento. Sol ardente e muita poeira rodopiando no ar. Caminhar sob o sol do meio dia, com as mochilas nas costas, atrás de um endereço no meio de vielas estreitas, sem um mapa na mão, foi uma boa maneira de, realmente sentir-se num deserto. Como poderia ali existir algum hostel decente? Chegamos a passar pela frente e nem desconfiamos que seria ali. Já no fim da rua,como não achávamos nada parecido com um hostel, pelo menos como o imaginávamos, voltamos conferindo número por número, até que achamos um portãozinho com uma campainha. Ao entrarmos, surpresa!! Um ótimo hostel! Logo pudemos ver umas redes abertas e umas cadeiras na sombra. A atendente foi muito solicita e nos deixou satisfeitos. Quarto confortável, cozinha grande e bem equipada, banheiros muito limpos. Pronto, já nos sentíamos em casa e a Ro já começou a fazer amizades, como é comum aos viajantes em todos os hostels ao redor do mundo.
Logo agendamos todos os passeios possíveis ao redor de San Pedro. Nos dias que se seguiram curtimos tudo o que poderíamos. Além de boas caminhadas pelas vielas da famosa cidade, onde se cruzam diariamente milhares de turistas do mundo inteiro. Ali reencontramos um casal de cariocas que havíamos encontrado em Salta. Passamos horas tagarelando e bebericando café com doces na pracinha da igreja.
Salar do Uyuni
Em San Pedro acertamos todos os detalhes para nossa ida ao salar de Uyuni na Bolívia. Compramos o pacote de ida e volta, sendo quatro dias de viagem, incluindo motorista e carro 4×4, comidas e hotéis, ao custo de U$ 200 por pessoa.
Na data combinada, cedinho saímos do hotel numa Van que nos levou até a fronteira com a Bolívia. Ali fizemos os trâmites e embarcamos nas Toyotas Land Cruiser, com as bagagens, comidas e água embaladas em lonas, no bagageiro do teto.
Gostinho de aventura das boas! Partindo da fronteira quase não há estradas. O caminho segue pelo deserto sem fim. No longínquo horizonte, nada alem de montanhas nevadas e planícies pedregosas. As atrações programadas pelo caminho desconhecido tinham nomes surreais: Árvore de Pedra, deserto de Salvador Dali … Mas estava tudo ali mesmo. E o nome era mais do que apropriado.
Já na primeira noite, muitos da expedição, composta por 20 pessoas, acomodadas em quatro carros, puderam sentir os efeitos do mal da altitude. Náuseas e muita dor de cabeça. Estávamos a aproximadamente 4.700 metros de altitude. Além de muito frio, comida tipo “é o que tem pra hoje!!”,  e até neve!! Sim, ao anoitecer estava nevando e eu e a Rosiane fomos os únicos a sair para dar uma caminhada na neve.
Nada que não pudesse piorar no dia seguinte. Muito mais frio e ainda mais altitude, chegando aos 5.100 metros. De alguma forma todos se sentiram um pouco incomodados. Além da precariedade dos lugares para dormir. Hoje, como ontem, não havia nem água quente para banho. E quando esta chegou, ficamos sabendo que quem quisesse, ainda teria que pagar U$ 10. Gostei de continuar sem banho.
No dia seguinte chegamos ao salar. Logo fomos entrando. De início contei mais de 200 Camionetes Toyota entrando e saindo do salar, cuja extensão é de aproximadamente 130 x 90 Km de área, formado por uma camada superficial de sal, chegando a ter até 300 metros de espessura em alguns lugares. Nessa época do ano encontra-se quase completamente coberto por uma fina lâmina de água, formando uma paisagem realmente surreal. Parece um imenso espelho que se estende ao horizonte em todas as direções. Olhando ao  longe não é possível saber onde começa ou termina o céu. As nuvens refletem na água e tudo parece uma coisa só. Realmente é um dos lugares mais bonitos do mundo. Estar nesse lugar é um imenso privilégio. Ficamos horas passeando sobre o salar, curtindo muito a sensação de “estar ali!” Quantas pessoas no mundo sabem de sua existência e beleza, e ainda podem vir até aqui!?
As dificuldades para vir são muitas. O desconforto do frio, mal da altitude, comida ruim, falta de banho, mas ….. “tudo vale a pena quando a alma não é pequena!”
De alma inchada e grande, voltamos a San Pedro.
Após uma boa noite de sono e um ótimo banho quente, seguimos para Santiago. Vinte e quatro horas de ônibus! Felizes!
Mendoza e Córdoba
De Santiago voltamos a Argentina para curtir Mendoza. Aproveitamos para conhecer muitas vinícolas, além de um local muito especial onde é produzido azeite de oliva. Na degustação deste, pudemos economizar um amoço. Foram muitos pãezinhos com pasta de tomate e vários patês, acompanhados de um “exqu. Após a primeira rodada, voltamos e fomos limpando todos os pratos. Não deixamos nada. Nas vinícolas a curiosidade foi que numa delas havia mais de 4.000 garrafas de um bom vinho, armazenadas, já há mais de um ano, e que ainda ali ficariam por mais quatro anos, sendo depois enviadas para um comprador, cuja filha iria casar-se com um “príncipe”. Nem nos sentimos “pobres”, afinal ali tínhamos o privilégio de provar quantos vinhos quiséssemos, inclusive aquele, e sem pagar nada. “Felicidade é um sentimento de satisfação, individual e temporário!” Se não podemos doar 4.000 garrafas, tomamos uma!
A viagem de Santiago até Córdoba, cruzando os Andes, passando pelos “Caracoles” é um momento indescritível. É única para cada um de nós a sensação de estar no meio daquelas montanhas altíssimas, com a estrada passando por túneis e desfiladeiros gigantescos.
Nos despedimos de Mendoza para subir as serras de Córdoba. Queria muito voltar a Córdoba, depois que conheci o Frankie e a Patrícia em Cartagena, Colômbia, na viagem de carro ao Alaska. Afinal fomos os únicos a chegar ao destino final. Prudhoe Bay, de um grupo de sete que cruzamos juntos o Canal do Panamá. E lembro ainda, que foi o Frankie o primeiro a me telefonar depois de um incidente no México, me ajudando a levantar “o moral” e prosseguir viagem. Pena que não deu certo nosso reencontro. Eles não estavam na cidade e nós estávamos de partida agendada, pois os dias que a Rosiane tinha como disponíveis, já estavam se esgotando. Tínhamos que estar no Brasil em dois dias. E assim o fizemos.
Ônibus até Foz do Iguaçu, e ….. ônibus até Curitiba!
P.S: a mochila da Rosiane era do mesmo tamanho da minha!!!
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