Diário

06/08/2012 - 18:32 | Postado por:
19- Um Balanço … e seu resultado! – 06/08/2012

Estou voltando do Canadá aos Estados Unidos. Como tenho mais tempo, posso relaxar e seguir “passeando”. Até aproveitei o tempo pra fazer um “balanço” de viagem. Sem falar em números, o resultado ficou assim:

Fotos

As fotos que coloco no site  são praticamente todas as que tiro. Não me importo muito com a qualidade, mesmo porque algumas não daria tempo pra estudar  angulo ou outras técnicas. A intenção é dividir tudo o que sinto e vejo, e, até o que não vejo. Sim, todos vemos tudo de formas diferentes, e uma foto pode nos trazer sensações muito diferentes de todos os outros que a vêem. Se for pedir para que cada um vote na foto que mais gostou, e expresse o motivo, ficaremos impressionadas com a diversidade.

Outro objetivo é permitir àqueles que querem viajar, antecipar algumas coisas, e aos que não podem viajar, ou não querem, a oportunidade de “viajar” , ver e sentir como se estivessem realmente viajando.

Viajar!

Por anos e anos viajando, a cada abastecimento, a cada pausa para um café quentinho ou a cada parada pra esticar as pernas e…. perder-se nas gostosas conversas, a gente vai acumulando muita história. E com o tempo vamos esquecendo todas. Implacavelmente! Sim, é isso mesmo! Muito pouco fica na memória de quem realmente gosta de viajar. O rir ou chorar, sempre será apenas momentâneo. O imprescindível é curtir o momento. Sem compará-lo com experiências anteriores, boas ou ruins. É preciso estar aberto, para a cada dia ver tudo como novo, de novo e de novo!!

Em nossas casas, nossos “portos seguros”, vamos nos entregando á rotina, que aos poucos nos afasta de nossas origens e vai apagando muitas de nossas habilidades naturais. Perdemos força muscular, acuidade visual, sensibilidade ao vento e ao sentido de orientação. Criamos horas para comer e outros horários e tarefas “importantes”. Aos poucos, em vez de falar, vamos preferir apenas digitar com as pessoas…

Com tantas facilidades ao nosso alcance, deixar tudo e preferir enfrentar o desconhecido, nos traz a certeza de desconfortos, insegurança e medo.

Viajar junto com alguém é um prazer e também, um exercício de superação. Sim. A necessidade de enfrentar várias situações novas, inesperadas, que exigem solução urgente, nos deixa nervosos, ansiosos e percebemos como somos vulneráveis. E se estamos acompanhados, usamos o outro para descarregar nossas tensões momentâneas. Conforme o grau da tensão, esse momento  pode ter consequências mais  duradouras do que gostaríamos.

Viajando sozinho, tenho descoberto muito sobre mim mesmo. Aos poucos vou aprendendo a viver como um verdadeiro animal!! Pode ser engraçado, mas isso me deixa  muito feliz. Sinto-me cada dia mais apto, mais forte, mais seguro. Descubro mais e mais sobre mim mesmo. Sei que dependo apenas de mim pra tudo. E minhas prioridades, a cada dia, são apenas duas. Comer algo que me mantenha vivo e, dormir em algum lugar onde me sinta seguro. A procura por comida não tem hora. O dia todo tenho que procurar algo que seja uma mescla de energia, proteínas e reguladores. Já o lugar pra dormir é mais complicado. Tenho que avaliar tudo. Coisas como, não ficar num lugar proibido, barulho na hora de dormir e ao amanhecer, rota de “fuga” em caso de emergência, possíveis “predadores”. E quando se dorme, o corpo todo fica “ligado” ao menor sinal de perigo. Os pequenos ruídos, o trovão distante, os cheiros, o vento, tudo adquire importância vital. Nossos instintos “voltam” todos a funcionar como “antigamente”.  Qualquer “aviso” do corpo, sinais sobre o ambiente que nos envolve, ameaças á saúde, merecem atenção imediata.

É uma sensação incrível! Nos sentimos fortes e confiantes. Cada momento tem um valor especial, cada dia é uma vitória!!

A  felicidade vem por mínimas coisas.. O estar bem e vivo, é uma grande alegria!

Há um tempo li uma frase de T. Roosevelt: “É bem melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem gozam muito e nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.” E considerei que para mim, abro mão de “alcançar triunfo e glória”, porque a felicidade que proporcionam será sempre momentânea, mas o que realmente permanece é o prazer de estarmos vivos.

A Solidão!

O distanciamento das pessoas queridas é a verdadeira grande cruz do viajante de longas distâncias.

A saudade é uma palavra linda, usada pelos poetas e escritores, e que no distanciamento, vai aos poucos se apoderando do coração, nos angustiando e sufocando. É como se, deliberadamente, por um tempo, tivesse perdido tudo e todas as  pessoas que amo. Não me consola o saber que um dia posso reencontrá-los. Sinto a perda de cada dia, cada momento junto a eles, e isso é irrecuperável, definitivo. Realizar o sonho de viajar me impõe esse afastamento. É uma escolha muito difícil, e me incomoda o saber que sou obrigado a renová-la a cada novo dia.

Minha natureza humana me faz sentir a necessidade de interagir. Necessitamos do apoio emocional e físico de nossa família e amigos próximos. Temos uma necessidade atávica de contato físico, e de saber o quanto somos necessários na vida uns dos outros. Dizer que amamos e ouvir que somos amados nos enche de orgulho, auto-estima, força e coragem. O simples toque carinhoso da pessoa amada nos transforma em super-homens/mulheres.

Viver!!

Tenho me esforçado  para viver sempre o momento. Simplesmente o momento!

Se puder ir para a estrada, será ótimo ver e surpreender-se com novas pessoas, apreciar a vida selvagem e descobrir milhares de coisas novas.

Quando não posso estar viajando, fico em minha casa com meus filhos, tão diferentes e tão iguais a mim, e aproveito a oportunidade de rever e, tentar surpreender-se  com as mesmas pessoas que posso ver todos os dias. Olhá-las sob uma nova  perspectiva, perceber nossas particularidades e sentir-me feliz por ser quem sou, e as outras pessoas serem tão diferentes, ou tão iguais. Ou, com o tempo, tornar-me mais feliz ainda, por constatar que não existe diferença nenhuma entre nós todos.

Somos simplesmente o que somos. Um pássaro voa, enquanto uma cobra rasteja, e nenhum dos dois é mais feliz ou triste por isso. As vezes me pego rindo ao pensar, como muitos animais são infelizes, por não terem mãos para poder pegar as coisas e por na boca. As diferenças somos nós que as inventamos, conforme as vivências e experiências de cada um. Os outros animais não “pensam” nas “suas diferenças”. O que importa para eles, é o quanto o outro é capaz de ajudar na sobrevivência. Juntos é mais fácil vencer  os obstáculos, obter comida e carinho, e viver mais. O “pensar”, frequentemente nos atrapalha, engana, causa atritos. Animais selvagens, não precisam “melhorar” ou ser “mais bonzinhos”!  E também nunca perguntam ao parceiro, “você me ama?”

A cada novo dia temos uma nova chance de “Ir”!!! Ir ao encontro de Si Mesmo!! Penso  assim porque se estivermos bem conosco mesmo, satisfeitos com nossas atitudes, estaremos integrados ao Todo que nos envolve, e o que sentimos será apenas a energia da vida!

Convencido disso, viajando ou não, onde quer que eu esteja, sinto a vida seguindo, e a energia que me impulsiona a cada momento, sem me importar com o tempo que isso possa durar.  Um dia me veio uma frase que achei resumir esse sentimento:

-  … E quando eu não tiver mais energia para Ir, será tempo de voltar … ao Todo!

Assim já me sinto eterno! Sempre fui e serei parte desse Todo!!

E concluí que o Balanço de uma empreitada como essa, nunca apresenta resultado negativo!