Diário

25/05/2013 - 14:42 | Postado por:
27- Sonhos em família! 25-05-2013

É um privilégio poder viver o significado dessa frase!!

Rodei 30 dias pela Nova Zelândia. No total foram 4.200 km passando por todos os lugares mais conhecidos e também pelos menos frequentados por turistas. Gostei de tudo. Na ilha norte gostei mais de Bay of Islands, Rotorua e da região de Cape Reinga. Na ilha sul, toda a península de Coromandel, é um lugar pra não esquecer jamais. Acalmei minha busca por lugares mais isolados e selvagens na região costeira de Slope Point e Nugget Point com suas praias de recifes e mar bravio. E me diverti muito nos 5 dias que fiquei em Queenstown. É uma cidade transbordante de vida. Ali convivem, em perfeita harmonia, a aventura e romantismo.

Chegada a hora de partir, vim para a Austrália. Aqui  vou poder compartilhar o meu tempo com outras pessoas. Inicialmente um amigo, o Aristeu Sasaki, curitibano que já rodou o mundo. Tem mais de 160 países registrados no seu passaporte. Depois, meu filho Diogo, que está morando em Gold Coast há mais de 6 meses.

Encontrei o Aristeu em Melbourne. Ficamos hospedados num Hostel, Santa Kilda Beach House. Com a presteza comum aos orientais, ele havia “bookado” – feito reserva – do local com alguns dias de antecedência. Vi que não era necessário. Quando cheguei e fui encaminhado aos meus aposentos, “meu novo cantinho no mundo”, abri a porta e dei de cara com um monte de roupas e mochilas jogadas pelo chão, num corredor comprido ladeado por 10 beliches. Hello… Hai… Hoi… Oi …Eitaaa!!!  Fui saudado por alguns dos fave…, quer dizer, parceiros de quarto. No ar respirava-se um misto de comida, desodorantes variados, chulés, também variados, suor e roupa suja. Lar, doce Lar!! Mal podia acessar minha cama, na parte superior. Tive que afastar um monte de coisas, pra poder  criar um espaço para minha mochila e poder subir meu aconchego. Organização exemplar. Tudo em perfeita desordem e ninguém ousa tocar no que é do outro. No banheiro, no chão do box, contei mais de 20 frascos de xampu, condicionador e afins. A pia estava inteiramente dominada por coisaradas femininas. Sim o quarto é unissex. Cuecas e calcinhas são totalmente indiferentes.  Um mau gosto danado!!!

Instalado, eu e o Aristeu fomos bater pernas na famosa Chapel Street. Andamos umas 5 horas. Meu primeiro dia de Austrália foi assim … diferente!!

Tasmânia

Como ja havíamos combinado, iríamos pra Tasmânia de Ferry. Pagamos US 150 pela travessia de 10 horas num mar muito agitado. Notei que muita gente passou mal e teve que usar os “saquinhos plásticos” de emergência. Como peculiaridade, no dia seguinte, quando falei com a Rosiane, ela disse ter me acompanhado a noite toda, pelo monitoramento da Link, cujo aparelho pessoal me acompanha também nessa viagem. Frisou que não sabia da travessia e estranhou ao ver minha localização sobre o mar, à noite, me movimentando a mais de 53 km por hora. Pela velocidade alta do navio, pude entender o porque de todos terem ficado “meio mareados”. Parabéns á Link. Valeu Hugo, um amigão, responsável pela cessão gratuita do aparelho, meu anjo da guarda, durante minha volta ao mundo!

A Tasmânia me surpreendeu. Tinha na minha imaginação um  ambiente selvagem, onde deveria me cuidar até em relação ao diabo, o tal “Diabo da Tasmânia”. Coitadinho, não passa de um bichinho parecido com um rato. A diferença é que esse come de tudo e muito rápido. A capital, Hobart é uma cidade enorme, cujo porto movimenta muitos barcos de pesca. Foi aqui que o norueguês Roald Amundsen aportou, após a sua épica conquista do Polo Sul. O recorde mundial de velocidade à vela tem seu  marco aqui. Pertence a um catamarã Australiano. o The Kermandie, que literalmente voou a mais de 40 nós de velocidade.

Um Sonho em Família!

Após cruzar toda a Tasmânia, voltei a Melbourne para reencontrar meu filho Diogo. Já há algum tempo havíamos combinado alugar uma Van e conhecer boa parte da Austrália juntos. Já havíamos conversado bastante sobre qual modelo iríamos alugar. Havia respondido que gostaria que fosse um marco em nossas vidas. Não é sempre que pai e filho podem se encontrar em um país distante para curtir momentos juntos. Assim minha opção seria uma Van, ou motor-home, com todo o conforto que jamais tivéramos em viagens.

A chegada dele estava prevista para as 9 da manhã no aeroporto de Melbourne. As 6 horas eu já estava lá. Pude ficar um tempão “perdido” pelos corredores. Após sua chegada, levei-o para conhecer a minha “suíte” em Santa Kilda. Fazer o quê!

Dia seguinte, pegar a Van!!! Chegando na sede da locadora já demos de cara com meu novo “Teimoso”. Um enorme e confortável motor-home. O preço foi salgado sim! Pagamos U$ 120 por dia. Dias depois ficamos sabendo ser uma pechincha. Na apresentação de como tudo funcionava, nem olhávamos direito. Era muito além do que esperávamos. Assim que assinamos todos os papéis partimos pra estrada.

Dirigir do lado esquerdo da pista eu já me acostumara na Nova Zelândia. Mas, trocar marchas com a mão esquerda, era uma desafiadora novidade. E o tamanho da “carruagem” incomodava também. Mas fui dando um jeito. Levei só duas buzinadas e … uma “bronca” tamanho família de um motorista que não gostou de uma ultrapassagem “a brasileira”!! De tudo o que ele gesticulava e gritava eu só consegui entender: “….. foken” isso…….”foken” aquilo….”foken” #*¨##¨** tudoo!!!”  … e mais algumas coisas!

Quando anoiteceu paramos num camping ground, conforme nos haviam orientado na locadora. Teríamos que conectar o motor-home na tomada para que alguns aparelhos como o micro-ondas e o ar condicionado funcionassem. Aqui, como na Nova Zelandia, além de países onde viajar de motor-homes ou camper-vans é comum, em todas as cidades tem vários campings com uma excelente infra estrutura. Banheiros limpíssimos, grandes cozinhas completas, lavanderia, parques infantis, locais para pesca e confortáveis e bem equipadas áreas de lazer. O Diogo e eu nem saimos de dentro do carro. Nosso parque de diversões era ali mesmo. Tinha tudo o que poderíamos imaginar e mais um pouco. Fizemos um filminho de nossa primeira janta a bordo.  Do lado de fora estava fazendo quase zero graus. Ligamos o ar condicionado e parecíamos crianças. Nunca fomos acostumados a isso em viagens. Ali estavam nossas camas quentinhas, uma geladeira com comida e bebida a vontade, música ambiente, fogão e pia, banheiro com ducha quente, e, janelas de onde podíamos ver os “outros”! Ali tínhamos o que de melhor se poderia ter no local.

É uma sensação boa. Muito boa mesmo, porque sabíamos que aquilo era apenas um momento nas nossas vidas, e de alguma forma, fizemos por merecer estarmos ali. Aproveitaríamos tudo da melhor forma possível e, depois continuaríamos nossas vidas, sempre prontos para viver cada pedacinho de nossas vidas, bons ou não, da forma como se apresentarem. Que bom ter chegado bem e com saúde até aqui. Estar vivo para poder celebrar esses momentos!! Realmente nos sentíamos privilegiados!! Gostaria que todos os que amo estivessem ali. Sabendo não ser possível, fiquei imaginando formas de fazer uma viagem assim com cada um deles!

Austrália

Nossa viagem não poderia ter começado melhor. Visitar cada cantinho de toda a região de 12 Apóstoles com o sol brilhando todos os dias. Realmente é muito lindo o lugar. Levantávamos cedo e entrávamos em todas as entradinhas. Caminhávamos longas distâncias, até onde fosse preciso para tirar uma foto ou poder sentar e apreciar a exuberância da natureza. Quando voltávamos para o carro, ali tínhamos tudo e mais um pouco para nos refazer. Todos os dias éramos os últimos a sair das trilhas. Ainda no escuro ficávamos tentando tirar mais e mais fotos. Estávamos muito felizes de estarmos ali, sabendo que depois poderíamos compartilhar tudo o que víamos! À noitinha, depois de uma saborosa janta, ou um café quentinho, ficávamos horas a organizar as fotos, escolhendo as melhores e preparando o roteiro do dia seguinte. Uma agradável rotina se instalou desde o primeiro dia.

Em Camberra, surpreendidos pelo frio, nos enchemos de casacos e fomos flanar pelas ruas. Que cidade linda e organizada. Em Sydney ficamos admirados, como em uma metrópole tão grande, o trânsito pode fluir tão bem. Não há engarrafamentos. Era dia das Mães. A cidade estava lotada. Onde quer que fôssemos havia uma multidão. Mas a beleza do lugar era contagiante. Tinha muita coisa pra ver, admirar, curtir. Fizemos tudo o que foi possível. Até passear por cima da famosa ponte Harbour Bridge era possível. Quando  soubemos o preço,  ficamos dando risada. Só U$ 280,00 por pessoa!!! e ainda não seria possível tirar fotos lá de cima. No final vimos que passar pela ponte, normalmente, era a melhor forma de admirar o entorno, que inclui a Ópera House! Na ponte, duas particularidades. Um do lados é para pedestres, o outro é para ciclistas ou skate. a outra é que na grade da ponte se vêem muitos pares de cadeados com nomes de pessoas. São casais, que vão a Sydney para celebrar sua união, em grande estilo e com um cenário inesquecível!

Após Sydney, fui conhecer a casa onde o Diogo está morando em Gold Coast. Como tínhamos que devolver o motor-home em Brisbane, bem adiante, e depois teríamos que voltar com toda a bagagem que estava conosco resolvemos deixar tudo ali e seguir apenas  com o essencial numa mochila pequena.

O plano para os próximos dias era grandioso! A Grande Barreira de Corais! Um sonho de muitos ao redor do mundo. Um mundo colorido à flor d’água, e que se estende por milhares de kilometros. A grande barreira é dividida em vários parques nacionais. O nosso escolhido foi o “Capricórnio” onde fica a Ilha Lady Musgrave. Pagamos U$ 180 por pessoa por um dia de atividades, incluídos almoço e lanches. Os equipamentos como roupas de neoprene e cilindros de mergulho são cobrados à parte. Mas não é necessário. A água tem uma temperatura agradável e mergulhar com snorkel, disponível para todos, é uma experiência inesquecível mesmo. Pudemos admirar, desde tartarugas gigantes, a milhares de peixes coloridos, de todos os tipos e tamanhos e nos encantamos com o formato dos corais de tamanhos inimagináveis, numa explosão de cores a perder de vista. Realmente, nosso  mundo tem lugares que todos deveriam ter a oportunidade de visitar!

Falando em lugares, o lugar que mais me deixou feliz, foi aquele onde pude estar e curtir todos os dias dessa viagem. Um lugar onde pude sonhar mais do que nunca. Só que todos os dias era um sonho real. Estar com um de meus filhos viajando num motor-home visitando lugares de sonho!

Ali comigo, o Diogo trazia a presença de Todos!

Um Sonho em Família!